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Uma das reclamações mais recorrentes dos empresários atualmente é a dificuldade de encontrar trabalhadores interessados em ocupar determinadas vagas de trabalho, situação recorrente principalmente entre os jovens. No entanto, os problemas não se resumem a falta de candidatos. Pesquisa realizada pela ResumeBuilder, divulgada recentemente pela Forbes Brasil, revela que 30% dos recrutadores estão preferindo pessoas mais velhas na hora da contratação em detrimento de profissionais da Geração Z – nascidos entre 1995 e 2012. Isso porque existe uma série de requisitos mínimos que esses candidatos não cumprem, como se vestir adequadamente (58%), não fazer contato visual durante a entrevista (57%), salários exigidos fora dos padrões de mercado (42%), dificuldade de comunicação (39%) e falta interesse ou engajamento (33%).

Fabíola Molina, especialista na área de desenvolvimento de lideranças e equipes, acredita que um dos grandes entraves para a integração da Geração Z ao mercado de trabalho é a falta de entendimento. “Quando um líder é da geração X ou Y, ou seja, nascido há mais tempo e com maior tempo de mercado do que os da geração Z, geralmente tem ideais já formados e estão pouco receptivos a novos pontos de vista”. Diante disso, ela recomenda aos gestores a trabalharem a empatia, comunicação e assertividade. “Reuniões de alinhamento constantes é algo que as novas gerações valorizam e por isso o profissional qualificado pode trazer técnicas que ajudem”, aconselha.

Luiz Menezes, fundador da Trope, comenta no artigo “Geração Z quer mais flexibilidade no mercado de trabalho” (leia aqui), que a forma de perceber o trabalho dessa geração é bastante diferente das anteriores. “Esse comportamento reflete em algumas decisões, como na tendência de se afastar da possibilidade de liderar, justamente por saberem dos riscos de doenças como burnout e demais problemas de saúde mental, que afetam o bem-estar de forma geral”. Ele lembra ainda que esses jovens profissionais dão grande valor à “flexibilidade” e consideram isso ponto fundamental para o modelo de trabalho preferido. 

Para aumentar ainda mais o problema de contratação, a concorrência por trabalhadores têm se intensificado nos últimos meses no Brasil e o próprio varejo de material de construção vem obtendo aumentos consecutivos nos níveis de empregabilidade (saiba mais). Tal quadro não deve se alterar no curto espaço de tempo, segundo dados da pesquisa Expectativa de Emprego do ManpowerGroup (Q3 2024), pois 44% das empresas consultadas pretendem contratar no 3º trimestre do ano. Além disso, a estimativa aponta para um aumento de 27% na oferta de vagas – valor calculado a partir da subtração de empregados que planejam fazer reduções na equipe daqueles que pretendem contratar. Somente para dar ideia da evolução do mercado de trabalho, essa expectativa de abertura de postos representa um crescimento de nove pontos percentuais no comparativo com o trimestre anterior, que foi +18%.

O estudo do ManpowerGroup verificou ainda quais setores serão os responsáveis por tal demanda: Finanças & Imobiliário (36%), Tecnologia da Informação (32%), Energia & Serviços de Utilidade Pública (27%) e Bens de Consumo e Serviços (26%). A oferta deverá se concentrar em São Paulo (25%), Paraná (22%) e Minas Gerais (21%).

Os dados do Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp), do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas, reafirmam essa tendência de alta no mercado de trabalho. O indicador subiu 0,5 ponto em junho de 2024, alcançado os 79,4 pontos, após queda observada no mês passado. Em médias móveis trimestrais, o IAEmp ficou estável e permaneceu em 79,5 pontos. O economista Rodolpho Tobler comenta que a melhora do indicador no mês recupera parte do que foi perdido em maio e mostra que a queda em maio não interrompeu a trajetória positiva iniciada em 2023. “O mercado de trabalho tem se mostrado aquecido e o IAEmp sugere uma continuidade desse cenário, talvez em ritmo menos intenso”, ressalta. E complementa: “a continuidade da retomada do indicador depende da evolução da atividade econômica e do controle da incerteza, pontos que são fundamentais nas decisões de contratações por parte dos empresários”.


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