O percentual de famílias brasileiras com dívidas voltou a aumentar em fevereiro e atingiu o maior nível da série histórica. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 80,2% dos lares relataram possuir algum tipo de compromisso financeiro a vencer. O resultado supera em 3,8 pontos percentuais o registrado no mesmo período do ano passado.
Além do avanço do indicador, houve piora na percepção das famílias sobre sua situação financeira. O percentual de consumidores que afirmaram não possuir dívidas caiu para 19,7%, o menor nível da série. A pesquisa destaca que esse dado reflete uma percepção individual sobre o grau de comprometimento financeiro e não caracteriza necessariamente uma situação de superendividamento. Outro sinal de atenção veio da inadimplência. Após três meses de recuo, o indicador voltou a subir em fevereiro e alcançou 29,6%. Também houve aumento no tempo de atraso das dívidas, que chegou a 65,1 meses, impulsionado pela elevação do percentual de famílias com contas vencidas há mais de 90 dias.
Mesmo com esse cenário, o comprometimento médio da renda com dívidas permaneceu relativamente estável. Cerca de 56,1% das famílias destinam entre 11% e 50% do orçamento mensal ao pagamento de compromissos financeiros, enquanto 19,5% têm mais da metade da renda comprometida. No total, o comprometimento médio da renda ficou em 29,7%.
As projeções da CNC indicam que o endividamento deve continuar avançando ao longo do primeiro semestre de 2026, uma vez que o crédito permanece como instrumento importante para sustentar o consumo. No entanto, a combinação de juros elevados e aumento da inadimplência reforça a necessidade de cautela no uso do crédito pelas famílias.
Na análise por faixa de renda, o crescimento do endividamento ocorreu em todos os grupos, com destaque para famílias que recebem acima de cinco salários mínimos. Já o avanço da inadimplência foi mais intenso entre os consumidores de menor renda, indicando maior dificuldade para manter os pagamentos em dia.
























