Entidades do setor produtivo intensificaram, em Brasília, a articulação com parlamentares para defender que eventuais mudanças na jornada de trabalho no Brasil considerem as particularidades de cada atividade econômica e sejam tratadas por meio da negociação coletiva. A posição foi apresentada em encontros com frentes parlamentares e durante seminário promovido pela Frente Parlamentar Mista do Empreendedorismo (FPE), que discutiu propostas de emenda à Constituição que tratam do fim da escala 6×1.
Representando a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), dirigentes da entidade destacaram que a redução da jornada é um debate legítimo, mas que precisa ocorrer dentro do diálogo entre empresas e trabalhadores. A negociação coletiva foi apontada como instrumento capaz de ajustar jornadas, escalas e condições de trabalho conforme a realidade de cada setor.
Durante os encontros, especialistas também ressaltaram que eventuais reduções na jornada deveriam ocorrer após avanços na produtividade. Dados apresentados no debate indicam que a produtividade do trabalho no Brasil permanece inferior à de economias desenvolvidas, o que reforça a necessidade de melhorias em gestão, infraestrutura, tecnologia e qualificação profissional antes de mudanças estruturais nas regras trabalhistas.
Estudos da FecomercioSP indicam ainda que uma alteração abrupta na jornada, caso implementada por meio de legislação sem negociação setorial, poderia elevar o custo do trabalho em até 22%. Esse impacto seria particularmente sensível para micro, pequenas e médias empresas, responsáveis por grande parte da geração de empregos formais no País.
O debate também considera os possíveis efeitos econômicos e sociais da medida. Entidades empresariais alertam que mudanças sem análise técnica aprofundada podem gerar redução de vagas formais, aumento de custos operacionais e repasses de preços ao consumidor, além de ampliar riscos de informalidade no mercado de trabalho.
O Sincomavi integra esse movimento ao lado da FecomercioSP, defendendo os interesses do comércio varejista que representa. A entidade também reforça que eventuais ajustes nas jornadas de trabalho devem ser discutidos por meio das Convenções Coletivas de Trabalho, mecanismo que permite negociar condições adequadas à realidade de cada segmento econômico.
























