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O varejo brasileiro iniciou 2026 em um ambiente de desaceleração e desempenho desigual entre os diferentes segmentos do comércio. Projeção elaborada pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (IBEVAR) em parceria com a FIA Business School aponta que o primeiro semestre deve ser marcado por oscilações moderadas no varejo restrito e retração no varejo ampliado, sobretudo em atividades mais dependentes de crédito e renda.

De acordo com o estudo, o varejo restrito deve apresentar variação negativa de -0,21% em março na comparação com fevereiro e queda de -0,29% em relação ao mesmo mês de 2025. Ainda assim, o segmento mantém crescimento acumulado de 0,55% no ano e alta de 1,17% em 12 meses. Para abril e maio, a expectativa é de estabilidade, com pequenas variações positivas e ritmo moderado de expansão.

O varejo ampliado, que inclui segmentos mais sensíveis ao financiamento, enfrenta cenário mais desafiador. A projeção indica retração de -1,94% em março frente a fevereiro e queda de -3,73% na comparação anual. O indicador deve continuar negativo em abril, com recuo de -1,40% na margem e -3,07% em relação ao mesmo mês de 2025. Apenas em maio surge uma reação pontual de 1,56% frente a abril, embora ainda com desempenho anual negativo.

A análise setorial revela contrastes importantes. Os segmentos de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos seguem como destaque positivo, com crescimento interanual de 4,43% em março e acumulado de 5,48% no ano. Supermercados e hipermercados também mantêm trajetória resiliente, com alta de 0,79% em relação a março de 2025 e avanço de 1,08% no acumulado do ano.

Material de Construção e informática

Entre os segmentos com maior pressão está o comércio de material de construção, que registra retração de -7,41% na comparação interanual de março e queda acumulada de -5,51% no ano. Também apresentam desempenho negativo os setores de veículos, motos, partes e peças (-3,96%) e móveis e eletrodomésticos (-0,79%). Em sentido oposto, equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação avançam 13,71% frente a março de 2025 e acumulam alta de 16,10% no ano.

Segundo Claudio Felisoni, presidente do IBEVAR e professor da FIA Business School, o cenário indica um consumo mais seletivo por parte das famílias. De acordo com Claudio, itens essenciais e produtos vinculados à tecnologia tendem a manter melhor desempenho, enquanto bens duráveis e segmentos dependentes de financiamento enfrentam maior volatilidade, exigindo das empresas gestão rigorosa de estoques, política comercial mais assertiva e monitoramento constante da demanda.


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