Entre os principais desafios do mercado formal de trabalho está a alta rotatividade da mão de obra. Esse índice expressa a dinâmica de entrada e saída de trabalhadores em determinado intervalo de tempo, tomando como referência o total de vínculos ativos em uma economia ou em um setor específico. A relevância desses dados está no fato de que níveis elevados de rotatividade geram custos expressivos para as empresas, relacionados a recrutamento e seleção, procedimentos administrativos de admissão, capacitação, integração e desligamento de empregados. Esse contexto se mostra ainda mais complexo para os estabelecimentos de menor porte, que normalmente contam com menor margem financeira para suportar tais despesas.
Como pode ser melhor observado abaixo, desde 2020, quando o Novo Caged foi implantado no país, a taxa de rotatividade do varejo de material de construção e segmentos complementares da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) nunca atingiu um patamar tão alto para um 1° semestre como em 2026, chegando aos 25%.
Taxas de rotatividade da mão de obra celetista no varejo de materiais de construção da RMSP – 1°s semestres – 2020 a 2026

Fonte: Novo Caged
Em termos práticos, isso significa que 1/4 dos cerca de 89,6 mil das posições ocupadas na Grande São Paulo ao final de 2025 foram preenchidas por pessoas diferentes ao término do primeiro semestre de 2026, considerando as admissões ou desligamentos ocorridos no período.
Ao desagregar esse indicador entre os nove segmentos econômicos que formam o setor, é possível ver que este dado geral de 25% de rotatividade até foi puxado para baixo especialmente pelo varejo de pedras para revestimento (20,6%) e de materiais hidráulicos (22,5%). Por outro lado, principalmente o comércio de vidros (27,4%) e de tintas e materiais para pintura (26,8%) foram aqueles que elevaram o indicador geral da região.
Taxas de rotatividade da mão de obra celetista no 1° semestre de 2026 – Por grandes segmentos do varejo de materiais de construção da RMSP

Fonte: Novo Caged
Há algum tempo, chama a atenção o crescimento da taxa de rotatividade no mercado de trabalho no comércio de materiais de construção segmentos comerciais similares. Esse movimento segue em alta em um cenário de mercado de trabalho ainda aquecido, no qual a ampliação da oferta de vagas aumenta a mobilidade dos trabalhadores. Com mais oportunidades à disposição, intensifica-se a procura por ocupações que ofereçam melhores salários, possibilidades de desenvolvimento, qualidade de vida e maior equilíbrio entre vida pessoal e profissional, o que eleva a movimentação da mão de obra e, por consequência, a taxa de rotatividade.
A configuração econômica da RMSP também ajuda a explicar esse quadro. A ampla variedade de atividades presentes na região, que reúne desde setores mais intensivos em mão de obra até segmentos que exigem maior qualificação, estimula a circulação frequente de trabalhadores entre empresas, funções e ramos de atividade. Além disso, setores marcados por sazonalidade mais acentuada ou por ciclos produtivos próprios, como aqueles relacionados ao comércio e a construção civil, tendem naturalmente a registrar maior volume de admissões e desligamentos, contribuindo para elevar a rotatividade total.
Para as empresas, esse cenário traz obstáculos significativos à retenção de profissionais e ao gerenciamento dos custos operacionais. As etapas de recrutamento, contratação, treinamento e substituição de empregados geram efeitos financeiros e estratégicos expressivos. Nesse contexto, ganham importância práticas mais eficazes de gestão de pessoas, incluindo processos seletivos mais precisos, investimentos em qualificação, promoção de ambientes de trabalho saudáveis, oferta de remuneração competitiva e uso mais amplo de inovação e tecnologia como meios de atrair e manter trabalhadores.
Do mesmo modo, é compreensível e legítimo que os trabalhadores procurem vagas que ofereçam salários mais elevados, melhores benefícios, condições adequadas de trabalho e possibilidades de crescimento profissional. Ainda assim, cabe considerar que a mobilidade em excesso pode dificultar a construção de uma trajetória sólida, reduzir o acúmulo de experiência e enfraquecer a formação de um histórico profissional que demonstre estabilidade, maturidade e evolução na carreira. O equilíbrio entre a busca por novas oportunidades e a consolidação profissional tende a trazer ganhos para o trabalhador, para as empresas e para o mercado de trabalho como um todo.
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