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O varejo físico brasileiro fechou o primeiro semestre de 2026 com retração de 2,2% em relação ao mesmo período do ano passado. Apesar do resultado acumulado negativo, o desempenho melhorou ao longo dos últimos meses, após um início de ano marcado por forte desaceleração.

Levantamento da Seed Digital, por meio do Índice de Intenção de Compra do Varejo (IICV SEED), mostra que, depois de uma queda de 5,4% no primeiro trimestre, o setor registrou crescimento de 1,0% entre abril e junho. O estudo é baseado no monitoramento de mais de 58 milhões de visitantes mensais em milhares de lojas físicas em todo o País.

Ao longo do semestre, o comportamento da intenção de compra apresentou forte oscilação. Janeiro registrou alta de 6,1%, seguida por queda de 10,2% em fevereiro, o pior resultado do período. Em março, a retração foi de 0,7%. A recuperação ganhou força em abril, com crescimento de 4,1%, e continuou em maio, com avanço de 0,4%. Em junho, o índice voltou a recuar 1,4%, influenciado pelas mudanças no fluxo de consumidores durante os jogos da Copa do Mundo.

Sidnei Raulino, CEO e fundador da Seed Digital, afirma que o semestre apresentou comportamentos distintos, com o impacto ocorrendo de maneira mais intensa no início do ano, enquanto o segundo trimestre demonstrou uma recuperação importante. Ele destaca ainda que, embora o resultado acumulado permaneça negativo, a redução das perdas indica que o varejo recuperou parte do fôlego nos últimos meses.

Diferenças

Entre os formatos de operação, as lojas de rua cresceram 0,9% no segundo trimestre, enquanto os shopping centers registraram retração de 1,0%. No acumulado dos seis primeiros meses do ano, porém, os shoppings mantiveram desempenho superior, com crescimento de 0,8%, ao passo que as lojas de rua acumulam queda de 2,8%.

De acordo com o estudo, o segundo semestre deverá reunir oportunidades comerciais importantes, mas também um ambiente de maior incerteza. O calendário eleitoral e a transição da Reforma Tributária poderão influenciar a confiança dos consumidores e ampliar a cautela nas decisões de compra. Ao mesmo tempo, o varejo se aproxima do período de maior movimentação do ano, com a Black Friday e o Natal. A proximidade entre o encerramento do calendário eleitoral e o início das principais campanhas comerciais exigirá planejamento na gestão de estoques, definição de estratégias promocionais e execução das operações.

Por fim, Raulino comenta que a capacidade de adaptação será determinante no segundo semestre. Para ele, transformar dados em decisões será fundamental para preservar margens, aproveitar as datas comerciais e responder às mudanças no comportamento do consumidor.


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