O Sincomavi publicou a edição de abril de 2026 do Radar Econômico, relatório que reúne análises e indicadores sobre o cenário econômico nacional e seus reflexos no comércio varejista de materiais de construção. Entre os destaques desta edição está o avanço das commodities no mercado internacional e o risco de aumento da inflação ligada à construção civil.
A análise do economista Jaime Vasconcellos, do Sincomavi, aponta que a valorização de commodities metálicas e energéticas, como aço, cobre e petróleo, tende a pressionar custos industriais, logística e produção de itens utilizados pelo setor. Segundo o estudo, o movimento já começa a aparecer em indicadores ligados à construção e poderá impactar produtos como tubos, conexões, fios, tintas, cimento e revestimentos ao longo do segundo semestre.
O levantamento também destaca o comportamento mais cauteloso de empresários e consumidores diante do atual cenário econômico. O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) recuou 1% em abril, refletindo menor disposição para investimentos e contratações, enquanto o Índice de Confiança do Consumidor (ICC), da FecomercioSP, caiu 3,8%, influenciado pela inflação persistente, juros elevados e aumento das incertezas externas.
Apesar disso, a Intenção de Consumo das Famílias (ICF), apurada pela CNC, avançou 1,2% em abril e registrou o sexto mês consecutivo de alta, impulsionada principalmente pela melhora na percepção sobre a compra de bens duráveis. O relatório ressalta, no entanto, que o ambiente econômico ainda apresenta limitações ao consumo por conta do crédito caro e do elevado comprometimento da renda das famílias.
Outro ponto de atenção do Radar Econômico é o endividamento recorde das famílias brasileiras. A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) mostrou que 80,9% das famílias possuem dívidas a vencer, maior patamar da série histórica da CNC. Entre os consumidores com renda de até três salários mínimos, o índice chegou a 83,6%.
O relatório ainda traz dados do Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M), que registrou alta de 1,04% em abril, puxado principalmente pelo grupo Materiais, Equipamentos e Serviços. Produtos como tubos e conexões de PVC, massa de concreto, cimento Portland e vergalhões apresentaram elevação de preços no período.

























