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Por Jaime Vasconcellos, economista.

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil registrouno ano passado crescimento de 2,3% em relação a 2024, alcançando R$ 12,7 trilhões em valores correntes, conforme divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em  03 de março. O resultado representa o quinto ano consecutivo de expansão econômica, embora seja a menor taxa desse período, evidenciando uma desaceleração significativa em relação ao anterior, quando a economia havia crescido 3,4%.

Evolução anual do PIB brasileiro (%)

Fonte: IBGE

Todos os grandes setores cresceram, ainda que de forma desigual: agropecuária teve alta de 11,7%, indústria subiu 1,4% e serviços, que é o maior setor, avançou 2,8% em 2025. 

O comércio teve crescimento de 1,1% no valor adicionado, bem abaixo da média da economia (2,3%). A atividade ficou com o segundo pior desempenho entre as divisões de serviços, segundo metodologia do IBGE, mostrando discrepância frente à expansão econômica geral e de outros segmentos.

Evolução do valor adicionado do setor de Serviços no PIB brasileiro em 2025, por suas divisões (%)

Fonte: IBGE

A perda de ritmo econômico já vinha sendo prevista em análises anteriores, principalmente porque a política monetária manteve os juros elevados em 2025 para garantir a queda contínua da inflação, fundamental para a estabilidade macroeconômica. Com isso, o crédito ficou mais caro e as condições financeiras se tornaram mais restritas, o que limitou especialmente o consumo das famílias, reduzindo o ritmo geral de crescimento.

Durante o ano de 2025, especialmente no segundo semestre, a economia perdeu força: os principais indicadores de produção, vendas e serviços mostraram crescimento menor ou até estagnação/quedas mês a mês. O mercado de trabalho brasileiro continuou mostrando resistência, com geração de 1,2 milhão de empregos formais no ano, um número positivo, mas inferior aos anos anteriores. Em janeiro de 2026 o saldo também foi positivo, porém o mais fraco para este mês desde 2023. O que sempre é um sinal de preocupação. 

Para 2026, espera-se a continuidade dessa tendência de expansão moderada. O PIB deve crescer aproximadamente 1,8%, indicando que a economia brasileira seguirá avançando, mas em ritmo ainda mais lento do que em 2025. Diante de preços, juros, endividamento e inadimplência elevados, a população tende a manter posturas cautelosas e pragmáticas, mesmo com emprego e renda sustentados em patamares razoáveis. Nesse contexto, setores como o comércio varejista, que dependem diretamente do consumo doméstico e das condições de renda e crédito, devem continuar enfrentando dificuldades para recuperar dinamismo, caso do varejo de material de construção e atividades similares.


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