Em que pé está a economia brasileira? 2026 segue confirmando uma trajetória de desaceleração do nosso crescimento, ainda que o cenário esteja um pouco menos pessimista do que se projetava no início do ano. As estimativas mais recentes indicam que o PIB deve crescer próximo de 2%, e não mais em torno de 1,5% como se imaginava anteriormente. Ainda assim, trata-se de um ritmo moderado de expansão, distante de um ciclo anterior mais robusto de crescimento.
Um dos principais fatores que sustentam essa resiliência da atividade econômica é o mercado de trabalho. O emprego continua relativamente aquecido e tem funcionado como um importante amortecedor da desaceleração econômica. No entanto, já se observam sinais claros de perda de ritmo, tanto na queda da taxa de desocupação quanto na geração de novas vagas formais. Ainda assim, o nível de emprego segue contribuindo para manter a renda das famílias relativamente sustentada.
O grande desafio para 2026 está no consumo das famílias, que representa quase dois terços do PIB brasileiro pela ótica da demanda. Apesar da renda preservada, o consumidor enfrenta um cenário bastante apertado. Os níveis de endividamento (80% das famílias) e inadimplência (30% das famílias) permanecem elevados, limitando a novos compromissos financeiros. Ao mesmo tempo, o crédito segue caro (houve apenas uma 1ª queda da SELIC), e a inflação ainda apresenta resistência, mantendo o custo de vida pressionado.
Esse conjunto de fatores cria uma espécie de dicotomia econômica: de um lado, existe renda sustentada pelo mercado de trabalho; de outro, há pouco espaço para expansão do consumo ou para novas tomadas de crédito. Na prática, o orçamento das famílias permanece pressionado, o que reduz a sensação de melhora na qualidade de vida e torna o consumidor no mínimo bastante cauteloso.
Esse comportamento acaba se refletindo diretamente nos setores produtivos. O consumidor mais seletivo tende a postergar gastos considerados menos essenciais, o que afeta diversos segmentos do varejo, inclusive o de materiais de construção, especialmente em itens ligados a reformas, melhorias e intervenções mais robustas.
Além dos desafios internos, 2026 também traz fatores adicionais de incerteza. Por se tratar de um ano eleitoral, cresce a cautela dos agentes econômicos diante da possibilidade de mudanças na condução da política econômica ou da adoção de medidas de caráter mais populista.
No cenário externo, os efeitos da guerra no Oriente Médio têm pressionado os preços internacionais do petróleo, impactando combustíveis e custos logísticos. Isso contribui para que a trajetória de queda da inflação dê lugar a um movimento de maior pressão inflacionária.
O quadro só não é mais preocupante porque o câmbio tem permanecido relativamente mais estável, ajudando a conter pressões adicionais sobre os preços. Ainda assim, existe o risco de interrupção ou desaceleração no ciclo de queda da taxa básica de juros, que hoje é vista como a principal “bala de prata” para sustentar algum dinamismo econômico, especialmente pensando no segundo semestre e para 2027 em diante.
Em síntese, 2026 se desenha como um ano de crescimento moderado, consumo pressionado e elevada incerteza. Para o empresário do varejo de materiais de construção, o cenário exige cautela nas projeções, eficiência na gestão e atenção redobrada ao comportamento de um consumidor, cada vez mais seletivo e sensível aos preços, devido a suas parcas condições de renda disponível e crédito.
ESTIMATIVAS PARA A ECONOMIA BRASILEIRA NO FECHAMENTO DE 2026:
- PIB: 1,8%
- Inflação (IPCA/IBGE): 4,7%
- Taxa SELIC: 12,75% a.a.
- Taxa de Câmbio: 5,25
- Balança comercial (em US$): + 72 bi
- Taxa de desocupação ao fim do ano (PNADc/IBGE): 5,8%
- Volume de vendas do comércio ampliado BR (PMC IBGE/12 meses): +1,1%
- Volume de serviços BR (PMS IBGE/12 meses): +2,0%























