O debate sobre a redução da jornada de trabalho e o possível fim da escala 6×1 mobilizou o Sistema Sindical do Comércio em todo o País. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) lançou estudo técnico avaliando os impactos da medida sobre comércio, serviços e turismo, enquanto federações e sindicatos filiados, incluindo a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) e o Sincomavi, intensificaram a articulação institucional junto ao Congresso Nacional.
O levantamento apresentado pela CNC indica que a imposição de um teto de 40 horas semanais, com extinção da escala 6×1, pode gerar impacto expressivo sobre a estrutura produtiva. Dos 57,8 milhões de empregos formais no Brasil, 31,5 milhões seriam diretamente afetados. No comércio varejista, 93% dos trabalhadores atuam acima de 40 horas semanais.
O estudo estima que a adequação à nova regra pode elevar em R$ 122,4 bilhões os custos anuais do comércio, com aumento de 21% na folha salarial. No setor de serviços, o impacto pode alcançar R$ 235 bilhões. O repasse aos preços pode chegar a 13%, com risco de redução de 631 mil empregos formais no curto e médio prazos.
Estudo complementar aponta que a redução da jornada, sem compensação salarial, elevaria o custo da hora trabalhada em 22%. A mudança atingiria cerca de dois terços dos trabalhadores formais brasileiros, com impacto especialmente relevante em setores intensivos em mão de obra, como comércio e serviços.
As análises também destacam possíveis efeitos como retração nas contratações, pressão inflacionária, aceleração de processos de mecanização e maior fragilização das micro, pequenas e médias empresas.
Negociação coletiva como caminho
A CNC defende que eventuais reduções de jornada sejam construídas por meio da negociação coletiva, instrumento previsto na Constituição Federal. O entendimento é que soluções pactuadas permitem considerar as especificidades de cada setor, evitando rigidez normativa que possa comprometer competitividade, segurança jurídica e geração de empregos.
A FecomercioSP também se posicionou de forma técnica, alertando para o aumento imediato de custos e para os riscos econômicos mais amplos caso a alteração seja feita por meio de emenda constitucional.
Dentro do seu âmbito de atuação, o Sincomavi acompanha o tema e trabalha de forma integrada ao Sistema Sindical, reforçando a defesa dos interesses do varejo. A entidade participa do diálogo institucional conduzido pela CNC e pela FecomercioSP, contribuindo com dados setoriais e posicionamentos técnicos voltados à preservação da atividade empresarial, do emprego formal e do equilíbrio nas relações de trabalho.
A união entre CNC, federações e sindicatos filiados consolida uma atuação coordenada em defesa do ambiente de negócios. O Sistema Sindical tem reiterado que qualidade de vida e desenvolvimento econômico não são objetivos incompatíveis, mas exigem diálogo, análise técnica e respeito às particularidades de cada segmento produtivo.
>> O estudo completo da CNC pode ser consultado em: [link para download].
>> O artigo assinado pelo presidente da FecomercioSP sobre o tema está disponível em: [link para o artigo].
























