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Por Fabio Seixas, CEO da Softo.

Os agentes de IA têm ocupado espaço crescente no debate corporativo, posicionando-se como uma das soluções tecnológicas mais comentadas de 2025. Entre demonstrações impressionantes e promessas de automação total, eles emergem como símbolo de uma nova fase da transformação digital. Segundo a pesquisa “The State of AI 2025”, da McKinsey & Company, 62% das empresas já estão pelo menos experimentando agentes de IA, e 64% afirmam que a IA está impulsionando sua capacidade de inovar, um sinal claro de que a tecnologia ultrapassou a fase de curiosidade e entrou no centro das discussões estratégicas.

Porém, mais do que um fenômeno estético ou discursivo, esses sistemas refletem uma preocupação real das empresas em equilibrar eficiência operacional, redução de custos e escalabilidade, uma equação que só se resolve fora do hype. Desenhados para operar em fluxos específicos, os agentes de IA podem executar desde tarefas simples e repetitivas até operações mais complexas de análise e decisão, adaptando-se a diferentes cenários organizacionais. Embora a narrativa de mercado os apresente como entidades quase autônomas, sua eficácia depende de arquitetura, dados bem estruturados e integração precisa com sistemas existentes. 

O impacto dessas soluções vai além da inovação tecnológica, já que empresas que deixaram de lado a fantasia da automação total para focar em casos de uso pragmáticos já relatam ganhos tangíveis em eficiência e produtividade. Agentes de IA que classificam documentos, processam solicitações ou monitoram sistemas eliminam horas semanais de trabalho manual e reduzem erros que antes comprometiam prazos e equipes. A tecnologia deixa de ser espetáculo e passa a ser ferramenta, fortalecendo a percepção de inteligência operacional.

Na prática, os mais valiosos não são os mais chamativos, e sim os mais consistentes. Atuando de forma silenciosa, eles integram rotinas com estabilidade, suportados por infraestrutura robusta e monitoramento contínuo. A simplicidade, muitas vezes subestimada nas apresentações de produtos, revela-se estratégica: processos bem delimitados, regras claras e métricas de desempenho permitem que se torne parte natural do fluxo, quase invisível, e justamente por isso, indispensável.

Essa operação disciplinada também exige conformidade com padrões de segurança, auditabilidade e governança. Assim como normas ergonômicas regulam mobiliário corporativo, frameworks de compliance passam a definir as boas práticas de desenvolvimento, atualização e monitoramento de agentes de IA. Controles de viés, privacidade de dados e transparência decisória deixam de ser opcionais para se tornarem requisitos fundamentais, especialmente em setores regulados.

Do ponto de vista estratégico, a adoção desse sistema representa uma mudança profunda na lógica de investimentos em tecnologia. Não se trata mais de perseguir a solução mais avançada, mas de identificar processos onde o impacto econômico é mensurável. O retorno não vem de promessas futuristas, e sim da eliminação de gargalos reais que consomem tempo, dinheiro e talentos. Nesse cenário, CFOs assumem protagonismo ao equilibrar entusiasmo tecnológico com pragmatismo financeiro.

À medida que a tecnologia amadurece, os agentes evoluem junto com as empresas, já que podem começar automatizando parte de um fluxo e, gradualmente, expandir seu alcance conforme métricas comprovam valor. A modularidade e a capacidade de adaptação permitem que acompanhem a complexidade operacional sem comprometer estabilidade ou governança. Essa evolução incremental o transforma em infraestrutura, um componente estrutural da operação, e não um experimento isolado.

No fim, os agentes de IA não são atalhos para produtividade ilimitada, mas instrumentos concretos de eficiência contínua. Organizações que compreendem essa natureza deixam de perseguir demonstrações impressionantes e passam a construir soluções discretas, precisas e orientadas a resultado. Quando a solução se torna invisível, rodando todos os dias sem falhar, é sinal de que cumpriu seu propósito máximo: entregar valor real, sustentável e alinhado aos objetivos corporativos.


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