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O cenário projetado para 2026 exige cautela do empresariado. Durante o webinário “Preparando a sua empresa para 2026: Cenários Desafiadores”, realizado em 12 de fevereiro, o economista Jaime Vasconcellos apresentou uma análise detalhada do ambiente macroeconômico e seus impactos sobre o varejo em geral e, sobretudo, de materiais de construção.

O evento reuniu 59 participantes e destacou que a economia brasileira passa por um processo de desaceleração. A projeção de crescimento do PIB para 2026 é de 1,8%, em um contexto marcado por juros elevados — com a Selic em 15%, maior patamar em duas décadas — e inflação acumulada de 56% entre 2020 e 2025. Segundo Jaime, mesmo que haja redução da taxa básica nos próximos meses, “os efeitos positivos sobre a atividade econômica só devem ser sentidos no fim de 2026”.

No âmbito setorial, o desempenho do varejo de materiais de construção segue abaixo da média. Em 2025, o volume de vendas no Estado de São Paulo recuou 1,5%, enquanto o setor de serviços cresceu 4%. O varejo total apresentou queda de 3% no período. O setor também registrou perda líquida de 295 postos de trabalho na Região Metropolitana de São Paulo, primeiro saldo negativo em seis anos.

O comportamento do consumidor é apontado como fator central nesse contexto. Com 70% das famílias paulistas endividadas e alto índice de inadimplência, os gastos estão concentrados em itens essenciais e no pagamento de dívidas. A consequência é maior sensibilidade a preço e foco em pequenos reparos, em detrimento de reformas e projetos de maior porte.

Pressão regulatória e custos operacionais

Além do ambiente macroeconômico restritivo, o setor enfrenta novos desafios regulatórios. A possível redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, no modelo 5×2, pode elevar os custos operacionais das lojas físicas. Jaime comenta que um estabelecimento com dez colaboradores teria de contratar ao menos mais um funcionário para manter o mesmo nível de operação.

Entram ainda na pauta de 2026 a implementação da NR1, com novas exigências relacionadas a riscos psicossociais a partir de maio, e o período de testes da reforma tributária, com IBS e CBS. Embora a maioria das empresas do setor esteja enquadrada no Simples Nacional e não sofra impactos imediatos, o momento é considerado estratégico para adaptação de sistemas e processos. Soma-se a esse cenário a alta rotatividade de mão de obra: a taxa chegou a 45% em 2025, elevando custos com recrutamento, treinamento e desligamentos.

Diante desse quadro, Jaime orienta os empresários a priorizarem gestão de fluxo de caixa e liquidez, evitando imobilização de capital em estoques de baixa rotatividade. Também recomenda diferenciação por meio de atendimento consultivo, posicionamento estratégico de produtos voltados a reparos essenciais e integração de serviços ao modelo de negócio, acompanhando a migração do consumo de bens para experiências.

>> O conteúdo completo está disponível na plataforma de EAD: www.sincomavi.online.


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