Por Jaime Vasconcellos, economista.
A economia brasileira caminha para 2026 em clara desaceleração. Após um crescimento estimado em torno de 2,2% em 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) deve avançar apenas cerca de 1,8% no próximo ano, o menor ritmo desde 2020, quando os impactos mais severos da pandemia da Covid-19 interromperam abruptamente a atividade econômica. O número, por si só, revela mais do que uma simples perda de fôlego: sinaliza o esgotamento de um modelo de crescimento sustentado sobretudo pelo estímulo à demanda.
Nos anos recentes, a aceleração da economia esteve fortemente ancorada em políticas fiscais expansionistas, com aumento de gastos públicos e estímulos direcionados ao consumo. Essa estratégia foi eficaz para reativar a economia no pós-pandemia, impulsionar setores intensivos em demanda doméstica e reduzir, ainda que parcialmente, os efeitos sociais da crise. No entanto, como costuma ocorrer em ciclos desse tipo, os limites começaram a se impor. O fortalecimento da demanda, sem contrapartida equivalente pelo lado da oferta, gerou pressões inflacionárias persistentes, especialmente em serviços e itens essenciais.
Diante desse cenário, coube à política monetária assumir o papel de freio. A adoção de uma postura claramente contracionista pelo Banco Central, com juros elevados por um período prolongado, mostrou-se o instrumento mais eficaz para conter a inflação e reancorar expectativas. O custo dessa escolha, amplamente esperado, foi a perda de dinamismo da atividade econômica. Em 2025, esse efeito já se fez sentir de forma mais intensa no segundo semestre, e em 2026 tende a se manifestar com ainda mais clareza, à medida que os impactos defasados da política monetária continuem se espalhando pela economia real.
O ambiente de juros altos, combinado a um nível elevado de endividamento das famílias, atinge diretamente o principal motor do PIB brasileiro: o consumo. Com maior parcela da renda comprometida com o pagamento de dívidas e crédito mais caro, o espaço para novas compras se reduz, afetando a confiança e o ritmo de gastos. Esse processo costuma atingir primeiro e de forma mais intensa o comércio, setor altamente dependente do fluxo de renda e da disponibilidade de crédito. A retração do consumo se traduz, rapidamente, em vendas mais fracas, margens pressionadas e menor disposição para investimentos e contratações.
Além dos desafios macroeconômicos tradicionais, 2026 carrega peculiaridades que tornam o cenário ainda mais complexo. Trata-se de um ano eleitoral, o que historicamente adiciona ruído às expectativas, aumenta a volatilidade dos mercados e pode gerar incertezas quanto à condução da política econômica. Soma-se a isso a realização da Copa do Mundo, evento que tende a alterar padrões de consumo, afetar a produtividade em determinados períodos e provocar distorções temporárias em alguns setores, sem, contudo, representar um impulso estrutural ao crescimento.
No plano internacional, o ambiente também inspira cautela. Conflitos geopolíticos ainda em curso, tensões nas cadeias globais de produção e a possibilidade de políticas econômicas erráticas nos Estados Unidos adicionam riscos ao cenário externo. Mudanças abruptas na política comercial, fiscal ou monetária da maior economia do mundo têm potencial para impactar fluxos de capitais, câmbio e condições financeiras globais, com reflexos diretos sobre países emergentes como o Brasil.
Assim, 2026 desponta como um ano de crescimento modesto, desafios amplificados e necessidade de ajustes. Diante desse ambiente menos favorável, consumidores e empresários precisam redobrar a cautela e alinhar expectativas a uma economia que cresce em ritmo mais lento. Em um contexto de expansão enfraquecida, decisões tomadas com base em projeções excessivamente otimistas tendem a elevar riscos e frustrações, tornando a prudência e a adaptação estratégias essenciais para atravessar 2026 com maior segurança.
























