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Por Jaime Vasconcellos, economista.

Estamos chegando mais próximos ao último mês de 2025. É um momento interessante para analisarmos um pouco do que foi este ano, deixando para o mês que vem as primeiras impressões do que nos aguarda em 2026. E olha que se no atual ano tivemos uma dicotomia entre os resultados do primeiro semestre com os já previstos do segundo, para o ano que vem adiantamos que a tendência de arrefecimento não mudou. 

Quando citamos que o ano de 2025 é marcado por períodos de oposição quanto ao ritmo de avanço da atividade econômica, não é algo tão surpreendente. Após o crescimento da economia em 3,4% ano passado (bem acima das previsões iniciais), era esperado que houvesse um “empurrão” positivo à economia em seu início de 2025. E foi o que ocorreu. O agro puxou para cima o PIB no 1° trimestre e o consumo das famílias se manteve razoavelmente resiliente, até sustentado por um mercado de trabalho bastante aquecido.

Já no final do 1° semestre a desaceleração prevista para a 2ª metade do ano começou a se apresentar. O cenário de preços internos ainda resistentes e os maiores impactos dos juros elevados na economia real (consumo e investimento) começou a dar as caras. A nossa taxa de crescimento no 2° trimestre foi 1/3 da vista no 1° trimestre (com ajustes sazonais) e a prévia do PIB (o IBC-BR) do 3° trimestre já nos mostrou uma retração de 0,9% em relação ao 2° (novamente com ajuste sazonal). 

Diante do exposto, observa-se que, embora o mercado de trabalho ainda tenha sustentado a renda das famílias ao longo deste ano, tal rendimento foi progressivamente corroído por uma inflação que apenas recentemente apresentou sinais de desaceleração. Adicionalmente, o orçamento familiar foi impactado pelos elevados patamares de endividamento e inadimplência, reduzindo a margem disponível para novos consumos. Por fim, a atual política monetária afetou as concessões de crédito, encarecendo as linhas tanto para pessoas jurídicas quanto físicas, e restringindo, assim, a expansão da renda desses agentes econômicos.

Assim, 2025 será lembrado como um ano de progresso inicial impulsionado pelo bom avanço econômico de 2024, mas também por uma perda de ritmo causada pela política monetária voltada ao controle da inflação (mesmo que em meio ao descontrole fiscal vigente). Embora os juros elevados sejam uma solução dura, eles afetam diretamente o potencial de crescimento do país. Para 2026, mesmo que os juros comecem a cair durante o ano, espera-se que a desaceleração da economia continue. Isso exigirá ainda mais planejamento, eficiência e boa gestão tanto dos empresários quanto dos consumidores, seja na administração do fluxo de caixa dos negócios ou no controle do orçamento das famílias.

ESTIMATIVAS PARA A ECONOMIA BRASILEIRA NO FECHAMENTO DE 2025:

  • PIB: 2,2%
  • Inflação (IPCA/IBGE): 4,4%
  • Taxa SELIC: 15,00% a.a.
  • Taxa de Câmbio: 5,40
  • Balança comercial (em US$): + 65 bi
  • Taxa de desocupação ao fim do ano (PNADc/IBGE): 5,8%
  • Volume de vendas do comércio ampliado BR (PMC IBGE/12 meses): +1,7%
  • Volume de serviços BR (PMS IBGE/12 meses): +3,0%

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