Jaime Vasconcellos, Economista.
Não foram muitas as mudanças de cenário conjuntural brasileiro nas últimas semanas, pelo menos em âmbito econômico. A projeção de crescimento em 2025 se manteve próxima dos 2,2% e a Selic nos parece ser seguro dizer que não deve iniciar uma trajetória de descenso neste ano. As únicas mudanças que nos chamam atenção, ainda que não sejam novidades, é a redução das estimativas inflacionárias, até puxada por um câmbio também menos pressionado.
Sobre a inflação, até vimos em setembro o IPCA rondando 0,5% depois de uma pontual deflação em agosto. Ainda assim, era uma aceleração esperada e muito por conta do “efeito rebote” do Bônus de Itaipu, que creditou valores nas contas de energia elétrica residencial no oitavo mês do ano e que em setembro não se repetiria. Por outro lado, chama-nos atenção para a quarta deflação seguida dos alimentos, com preços puxados para baixo pela alimentação dentro do domicílio, o que é sempre relevante, especialmente às famílias de mais baixa renda. E a tendência semana a semana é que tenhamos um IPCA no fim de ano mais próximo dos 4,5% do que de 5%.
Além da atual política monetária restritiva, que impacta a atividade econômica e reduz a pressão dos preços pela ótica da demanda, também há a influência positiva com o câmbio menos desvalorizado. O dólar mais fraco, também devido a diferença entre os juros brasileiros e americanos, sem contar o cenário geopolítico de menor tensão, barateira bens e serviços importados, o que sempre é bom para a atividade econômica interna.
Em resumo, a atividade econômica se mantém resiliente, tendo como pilar o mercado de trabalho aquecido, mesmo com que ele esteja com visível ritmo mais fraco de expansão, o que seria natural em algum momento. Todavia, tem sido visível a tendência arrefecimento do nosso PIB, sobretudo de 2026, até pelo alongado período de juros elevados (e que assim deve se manter). Esse cenário exige um foco maior em duas iniciativas fundamentais, tanto para consumidores quanto para empresários: otimização dos gastos atuais e aprimoramento do planejamento para ações futuras. Embora o contexto não represente um assombro, também está longe de ser uma maravilha.
ESTIMATIVAS PARA A ECONOMIA BRASILEIRA NO FECHAMENTO DE 2025:
- PIB: 2,2%
- Inflação (IPCA/IBGE): 4,7%
- Taxa SELIC: 15,00% a.a.
- Taxa de Câmbio: 5,45
- Balança comercial (em US$): + 65 bi
- Taxa de desocupação ao fim do ano (PNADc/IBGE): 6,2%
- Volume de vendas do comércio ampliado BR (PMC IBGE/12 meses): +1,7%
- Volume de serviços BR (PMS IBGE/12 meses): +3,0%
























