Por Jaime Vasconcellos, economista.
Não é de hoje que se alerta para o processo de arrefecimento da economia brasileira nesta segunda metade do ano. Em nossa carta de conjuntura do mês de agosto, inclusive, mostramos que a previsão do Produto Interno Bruto (PIB) indicava tal trajetória. Porém, foram os dados da nossa economia no segundo trimestre de 2025 que acabaram por evidenciar este cenário, agora ainda reforçado por meio dos ajustes nas projeções para o fim deste ano e já para 2026.
Vamos aos números: o PIB brasileiro que havia crescido 1,3% no primeiro trimestre, avançou apenas 0,4% no segundo trimestre de 2025. Ambas as comparações contra os três meses anteriores e com ajuste sazonal. E só crescemos este último percentual devido ao mercado de trabalho ainda se mostrar resiliente e conseguir sustentar o consumo das famílias (+0,5%) e, consequentemente, o setor de serviços. Já o valor adicionado do Comércio ficou no “zero a zero”.
A desaceleração da atividade econômica é especialmente atribuída ao impacto da política de juros elevados, implementada como medida para conter a inflação. Apesar de possíveis alívios pontuais previstos para o início do segundo semestre, sobretudo em agosto, o nível geral de preços deve permanecer acima da meta estabelecida pelo Banco Central em 2025. Além disso, a continuidade dos altos gastos públicos contribui para a persistência das pressões inflacionárias, o que dificulta uma redução significativa das taxas de juros. Mesmo diante de expectativas de queda da taxa Selic já em 2025 devido à menor dinâmica econômica, tal cenário ainda se apresenta menos provável.
E como se não bastasse as expectativas para o crescimento da economia brasileira ficarem cada vez mais próximas dos 2% em 2025, sendo que se já projetou algo mais próximo dos 2,4%, para o ano que vem o Boletim Focus (Banco Central) mostra que estamos mais próximos de +1,8% de avanço, que os +2,0% que já foi citado em algum momento.
Além de reconhecer o desafio atual para a expansão econômica, destaca-se a responsabilidade dos agentes econômicos, incluindo os varejistas representados pelo Sincomavi na Região Metropolitana de São Paulo, em replanejar as suas estratégias e aprimorar a eficiência operacional. O contexto de juros elevados exige uma gestão rigorosa do fluxo de caixa e a preservação do capital de giro próprio. O consumo retraído demanda atenção à formação de estoques, definição precisa do portfólio de produtos e adequação da precificação. Adicionalmente, a projeção de números reduzidos para 2026 reforça a necessidade de maior prudência na avaliação de investimentos significativos pelas empresas. Essas indicações podem parecer reflexões superficiais e, para alguns, um tanto exageradas demais, porém, os números aqui apresentados não mentem, haverá mais dificuldades daqui para frente.
ESTIMATIVAS PARA A ECONOMIA BRASILEIRA NO FECHAMENTO DE 2025:
- PIB: 2,2%
- Inflação (IPCA/IBGE): 4,7%
- Taxa SELIC: 15,00% a.a.
- Taxa de Câmbio: 5,55
- Balança comercial (em US$): + 65 bi
- Taxa de desocupação ao fim do ano (PNADc/IBGE): 6,2%
- Volume de vendas do comércio ampliado BR (PMC IBGE/12 meses): +1,5%
- Volume de serviços BR (PMS IBGE/12 meses): +3,0%
























