Por Jaime Vasconcellos, economista.
Conforme amplamente esperado, o ritmo de crescimento do Produto Interno Bruto brasileiro desacelerou no segundo trimestre de 2025, avançando apenas 0,4% em relação ao trimestre anterior, segundo estatísticas divulgadas em 02 de setembro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esta tímida taxa trimestral contrapõe o crescimento de 1,3% registrado no primeiro trimestre do ano, em comparação ao último trimestre de 2024, com ajuste sazonal.
Variação do PIB brasileiro – trimestre contra trimestre imediatamente anterior (%)

Fonte: IBGE
Pela ótica dos setores que adicionam valor à economia, a agropecuária retraiu 0,1%. Já a indústria contou com crescimento de 0,5% e o setor de serviços, outros 0,6%. Dentro do setor de serviços, o comércio não apresentou elevação, marcando variação de 0,0%. Já pela ótica da demanda, o consumo das famílias aumentou 0,5%, enquanto o consumo do Governo e os investimentos retraíram 0,6% e 2,2%, respectivamente. As exportações avançaram 0,7%, a despeito das importações recuarem 2,9%.
Comparando agora o resultado deste segundo trimestre do ano com o segundo trimestre de 2024, a economia brasileira avançou 2,2%. Como poderá ser mais bem visto no gráfico abaixo, a taxa reforçou a tendência de arrefecimento do PIB, já anunciada desde o fim do ano passado.
Variação do PIB brasileiro – trimestre contra o mesmo trimestre do ano anterior (%)

Fonte: IBGE
Pelo setores, nesta contraposição anual, o agro ainda avança mais de 10%, enquanto a indústria tem tímido crescimento de 1,1% e os serviços de 2,0%. O comércio novamente ficou abaixo da média, com 1,1%.
No indicador de 12 meses da economia brasileira, vê-se que até o segundo trimestre de 2025 há um acréscimo de 3,2%, abaixo dos 3,5% verificados nos doze meses que se encerraram até o primeiro trimestre do ano.
Tal cenário de desaceleração da economia brasileira neste segundo trimestre, trajetória inclusive que deve perdurar, já era esperado. Além de fatores setoriais, em geral, o nosso ritmo econômico está condicionado ao impacto negativo da política de juros elevados que convivemos, até com o nobre objetivo de controlar os preços (inflação), mesmo que seja ao custo de um arrefecimento da própria economia.
Os setores mais dependentes de crédito, seja para a sua operação empresarial ou como complemento de renda do seu mercado consumidor, como é o varejo de material de construção e segmentos correlatos, os desdobramentos de uma economia mais lenta é também sentido de forma mais rápida. Ainda que o atual quadro só não seja mais agudo negativamente devido a um mercado de trabalho que é resiliente e ainda sustenta a renda da população, a despeito de inflação, juros e endividamento elevados.
A tendência não deve se alterar para este segundo semestre. Continuaremos a sentir uma desaceleração econômica, até porque seus condicionantes desta dinâmica não devem se alterar. O momento para o setor, especialmente direcionando sugestões aos empresários representados pelo Sincomavi, é de alerta e cautela. Períodos de esfriamento da economia não são desconhecidos no Brasil e, novamente, requerem do setor produtivo varejista atenção redobrada aos planos de expansão (se houver), bem como das operações rotineiras de vendas, compras, precificação e de liquidez do estabelecimento.
























