O mercado de trabalho do comércio varejista de material de construção perdeu 295 empregos em 2025 na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), segundo o Novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). Ao todo, foram registradas 43.700 admissões contra 43.995 desligamentos, para o estoque formado por 95.456 vínculos de trabalhos ativos. Este saldo representa o primeiro resultado negativo da série histórica no acumulado de um ano, desde a implementação do Novo Caged, a partir de 2020.
Saldos de empregos do varejo de material de construção – RMSP

Fonte: Novo Caged
A reversão para um saldo negativo em 2025 só foi possível devido ao desempenho de dezembro, quando 1.387 vagas foram eliminadas no varejo de material de construção da Grande São Paulo. Em todos os nove segmentos avaliados ocorreram mais desligamentos que admissões de trabalhadores. Destaques aos ramos de material de construção em geral (-700 vagas) e estabelecimentos de ferragens e ferramentas (-250 vagas).
Movimentação e estoque de empregos celetistas – RMSP – dezembro de 2025

Já no acumulado de 12 meses, os resultados se revelaram heterogêneos perante os segmentos avaliados. Enquanto a retração ficou sob responsabilidade especial do varejo de material de construção em geral (-758 vagas), foram registrados saldos positivos relevantes no comércio de materiais elétricos (+243 vagas), de ferragens e ferramentas (+144 vagas) e no de tintas e materiais para pintura (+136 vagas).
Movimentação e estoque de empregos celetistas – RMSP – 2025

O economista Jaime Vasconcellos relembra que tal quadro com saldo negativo de vagas em dezembro já era esperado para o varejo de material de construção. “Foi o que aconteceu, até por uma conhecida sazonalidade do período, na qual a renda das famílias, incrementada pelo pagamento do décimo terceiro salário, é direcionada para a compra de outros itens, o que altera as performances dos segmentos varejistas”, explica. E complementa: “Além disso, é um período de tradicionais balanços do ano e de planejamentos para o período seguinte”.
Em sua opinião, o que chama a atenção é o tamanho do saldo negativo, em um patamar superior ao esperado: “28,2% mais agudo que a perda vista em dezembro de 2024”, ressalta. Isso demonstra mais que uma sazonalidade, mas sim um pessimismo dos empregadores em não apenas não aumentar o seu quadro de funcionários, como residualmente até mesmo diminuí-lo no ano. Essa desaceleração até é consonante com o próprio ritmo da economia brasileira, que vem arrefecendo.
Jaime comenta ainda que o setor, assim como todos dependentes do consumo das famílias, possuiu um ano, especialmente o segundo semestre, impactado pelos efeitos de juros altos e endividamento e inadimplência das famílias elevadas. “Porém, a sua dependência do crédito é maior que em ramos varejistas de itens não duráveis, por exemplo”. Portanto, seria natural que sentisse mais fortemente a desaceleração de 2025, inclusive em relação ao mercado de trabalho.
























