Por Jaime Vasconcellos, economista.
Na quinta reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil (BCB), os membros optaram, por unanimidade, pela manutenção da taxa básica de juros em 15% ao ano, indicando o encerramento do ciclo de elevação da Selic iniciado em setembro de 2024. A decisão estava amplamente precificada pelo mercado e foi tomada em meio às turbulências quanto aos impactos da imposição da sobretaxa americana em 50% sobre os produtos brasileiros exportados, mas também em um cenário de desaceleração da inflação doméstica.
Quanto aos preços internos, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado em 12 meses registra 5,35%, superando há diversos meses o teto da meta estabelecida pelo BCB, que é de 4,5%. No entanto, as projeções apontam para uma trajetória de desaceleração até dezembro, com expectativa de atingirmos por volta dos 5% ao final de 2025, conforme o último Boletim Focus. Este horizonte da inflação brasileira, onde a própria projeção à nossa economia segue uma tendência de arrefecimento semelhante, foi vital para a decisão do BCB em paralisar a alta dos juros no país.
Evolução recente da Taxa Selic (% ao ano)
Fonte: Banco Central do Brasil
Esta última decisão do Copom representa um alívio para as empresas, considerando que a taxa básica de juros influencia todas as demais taxas praticadas pelo sistema financeiro, afetando diretamente o custo do crédito empresarial. Inclusive aos estabelecimentos do comércio varejista de materiais de construção, tintas, vidros, ferragens, ferramentas, maquinismos e outros ramos.
Para uma melhor compreensão deste fato, em junho de 2025 a taxa média de juros nas operações de crédito com recursos livres destinadas às empresas alcançou os 24,26% ao ano, superando o índice do mesmo período do ano anterior (20,77%) e representando o maior patamar desde janeiro de 2023 (24,93%). Para as famílias, o juro médio anual (também com recursos livres) atingiu os 58,32%, registrando o maior valor desde maio de 2023. Diante desse cenário, projeta-se que a interrupção do ciclo de elevação da Selic favoreça a estabilização das condições de crédito para pessoas físicas e jurídicas no país.
Evolução da taxa média ANUAL de juros das operações de crédito com recursos livres no Brasil – Pessoas jurídicas (%)
Fonte: Banco Central do Brasil
É preciso destacar que a decisão do Banco Central de interromper o aumento da Selic traz um alívio, pois os juros altos encarecem o crédito para famílias e empresas, impactando o lojista pelas vias do seu cliente e também por meio dos seus próprios dispêndios financeiros.
Ainda assim, cabe-nos alertar aos empresários que, mesmo com a pausa na Selic, os juros devem permanecer elevados ao menos até meados de 2026, especialmente devido à inflação estar ainda acima do teto estipulado pelo BCB, além da alta volatilidade nas relações comerciais externas, que impactam diretamente o nosso país (especialmente provenientes dos EUA). Portanto, recomendamos cautela aos empresários quanto à liquidez de seu caixa e à dependência de crédito nos próximos meses, já que só há expectativa de alguma redução dos juros ano que vem.
























