Espaço Publicitário

Jaime Vasconcellos, economista.

O tópico de maior movimentação da conjuntura econômica brasileira nos últimos dias veio da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) em elevar novamente a taxa básica de juros da nossa economia. Após um aumento de 0,25 pontos percentuais no último dia 18, a Selic atingiu os 15,00%, o seu maior nível desde julho de 2006.

Boa parte dos analistas apostava que a redução da inflação brasileira (IPCA) para 0,26% em maio sensibilizasse o BC para interromper a recente trajetória ascendente da Selic, que se iniciou em setembro do ano passado. Não foi o que ocorreu. O Comitê justificou a sua decisão citando às incertezas externas, aliada a um cenário doméstico de resiliência da demanda agregada e os conhecidos riscos fiscais. 

Não se nega que o mundo passa por uma volatilidade além da “normal”. De um lado temos ainda um acomodamento das mudanças das políticas comerciais após as sobretaxas americanas para diversos países. De outro, os conflitos na Ucrânia, Iêmen e agora também entre Israel e Irã, que podem inclusive gerar uma escalada sem precedentes. Do ponto de vista estritamente econômico, isso tudo traz dificuldades para mercados emergentes, como o brasileiro. 

No âmbito interno, a economia se mantém mais aquecida que o projetado, mesmo com a trajetória de juros altos. Prova disso é que tivemos no trimestre encerrado em abril a menor taxa de desocupação para o período desde o início da série da PNAD Contínua, exatos 6,6%. Já a taxa de crescimento estimada para o PIB em 2025 já ficou abaixo dos 2%, mas aos poucos vai se aproximando dos 2,5%. 

Os riscos de termos ainda mais pressões nos preços domésticos com os efeitos da volatilidade internacional, junto de um cenário doméstico ainda aquecido e que convive com riscos fiscais, faz com que o único instrumento de defesa da moeda seja por meio da política monetária. E ainda que ninguém goste de conviver com os juros altos, que encarece ainda mais o custo do crédito para pessoas e empresas, o Banco Central faz o que acredita ser o melhor para o momento.  

E um adendo, a irresponsabilidade do atual governo em controlar os seus gastos, partindo novamente para a tentativa de equilíbrio de suas contas através quase que unicamente do aumento de tributos, isto é, às custas do setor produtivo privado, ajudou a induzir o Banco Central a manter-se cauteloso e aumentar ainda mais os juros. Mesmo que se espere ser esta a última elevação de 2025. 

Como consumidores, podemos esperar ainda mais desafios na gestão dos orçamentos familiares. Já aos empresários, há a necessidade de ainda mais cuidado quanto à liquidez e ao fluxo de caixa dos estabelecimentos. Seja na busca por clientes ou ao depender de crédito, é importante possuir a consciência que teremos mais dificuldades neste segundo semestre. 

Estimativas para o fechamento de 2025 da economia brasileira:

  • PIB: 2,2%
  • Inflação (IPCA/IBGE): 5,3%
  • Taxa SELIC: 15,00% a.a.
  • Taxa de Câmbio: 5,80
  • Balança comercial (em US$): + 75 bi
  • Taxa de desocupação ao fim do ano (PNADc/IBGE): 6,5%
  • Volume de vendas do comércio ampliado BR (PMC IBGE/12 meses): +2,5%
  • Volume de serviços BR (PMS IBGE/12 meses): +3,0%

Espaço Publicitário