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Por Jaime Vasconcellos, economista.

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) decidiu em reunião nesta última quarta-feira, 07 de maio de 2025, pelo aumento de 0,5 ponto percentual à Taxa Básica de Juros da economia brasileira, a Taxa Selic, que agora passa a vigorar em 14,75% ao ano. Temos, portanto, o maior patamar desde julho de 2006, praticamente há quase 20 anos.

Na decisão, que foi unânime entre os oito membros que compõem o Copom do Banco Central, foi destacado dentre os principais motivos para este no avanço dos juros básicos que “o ambiente externo mostra-se adverso e particularmente incerto em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos, principalmente acerca de sua política comercial e de seus efeitos” (1).

Já em âmbito doméstico, o Banco Central alertou para a atual política fiscal (gastos públicos), que “têm impactado os preços de ativos e as expectativas dos agentes” (2), bem como para o cenário que “segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho” (3).

Em resumo, incertezas globais capazes de desvalorizar ainda mais a nossa moeda e trazer mais inflação, aliadas a uma economia ainda aquecida e que vivencia impactos de desequilíbrio fiscal, isto é, de um Governo que gasta mais do que arrecada (e arrecada em níveis recordes). Diante disso, cria-se um cenário de incertezas e riscos inflacionários. E são estes os riscos que a atual política monetária tenha de neutralizar. 

Sabemos que consumidores e empresários não gostam de conviver com juros altos. Todavia, também temos repulsa de reviver os piores períodos da inflação. Por isso este avanço da Selic é um mal necessário no entendimento do Banco Central, dado que mesmo acarretando uma desaceleração do ritmo de expansão do crédito e de crescimento econômico, também tende a criar um freio à inflação. 

Na gestão de nossos negócios esses juros mais altos nos impactarão de duas formas. Primeiro ao cliente, dado que o crédito mais caro reduzirá novos consumos, ainda mais para mercadorias de maior valor agregado e que necessita de crédito para a aquisição. Neste sentido, o segmento de material de construção é bastante afetado. 

Adicionalmente, com a Selic subindo, o custo do crédito às PJs também se eleva. São linhas, por exemplo, para o desconto de duplicatas, de capital de giro, de antecipação de vendas de cartões de crédito, que ficarão mais caras. Portanto, frente a continuidade deste cenário dos juros, é importante os gestores recalcularem os seus níveis de compras, estoques, prazos com fornecedores. Além disso, é necessário o máximo cuidado com o fluxo de caixa e liquidez dos estabelecimentos. Socorrer-se aos bancos está e ficará mais caro.

(1)(2)(3)  Retirados do próprio comunicado do Banco Central: https://www.bcb.gov.br/detalhenoticia/20655/nota.


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