O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), apurado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), recuou 2,7% em outubro, para 96,7 pontos. Foi a quarta queda consecutiva do indicador, que permaneceu abaixo da linha de neutralidade, de 100 pontos. O resultado é o mais baixo desde maio de 2021, quando foram registrados 94,5 pontos.
O levantamento mostra maior cautela dos lojistas na preparação para as vendas de fim de ano. Segundo a entidade, as incertezas do período eleitoral e dos cenários fiscal e monetário contribuíram para a retração. A variação mensal considera os dados com ajuste sazonal.
A intenção de contratar funcionários diminuiu 2,8% em relação a setembro e foi o principal componente da redução do subíndice de investimentos. Esse indicador caiu 2,4%, para 98,9 pontos, acumulando recuo de 1,8% na comparação com outubro de 2025. Os planos de investir na própria empresa também encolheram: 2,7% no mês e 4,4% em relação ao mesmo período do ano passado.
José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, comenta que o resultado sinaliza dificuldades em um período relevante para o faturamento do setor. Em sua avaliação, ele afirma que a retomada da expansão e da geração de empregos depende de maior previsibilidade, segurança jurídica e redução dos custos das operações.
Avaliação do presente concentra pessimismo
O subíndice de Condições Atuais registrou a sexta queda consecutiva, com retração de 5,5%, para 68,2 pontos. Entre os entrevistados, 78,2% perceberam piora na situação da economia, maior proporção desde maio de 2021. As avaliações sobre o setor de atuação e sobre a própria empresa recuaram 6,1% e 4,5%, respectivamente.
No segmento de bens semiduráveis, que reúne roupas, calçados, tecidos e acessórios, o indicador de confiança caiu 5,4% no mês e 3,3% na comparação anual. A análise da CNC associa esse desempenho à concorrência das importações diretas, intensificada pelo fim do imposto de importação conhecido como “Taxa das Blusinhas”.
Fabio Bentes, economista-chefe da CNC, acredita que o comércio enfrenta os efeitos da desaceleração econômica, da diferença de carga tributária entre as operações nacionais e as compras internacionais e do endividamento das famílias, que limita o consumo.
Embora 58,1% dos empresários ainda esperem melhora da economia, as perspectivas também perderam força. O subíndice de Expectativas caiu pelo segundo mês consecutivo, com redução de 1,3% em outubro e de 1,1% em relação ao mesmo mês de 2025.
























