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Juros consomem R$ 515,4 bilhões da renda das famílias no semestre

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O pagamento de encargos financeiros pelos brasileiros cresceu 9,8% entre janeiro e junho de 2026, na comparação com igual período de 2025. Segundo levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), esse desembolso comprometeu 14,64% dos rendimentos dos lares. O valor destinado a essas despesas ficou quase 17% acima do registrado nos primeiros seis meses de 2024.

Valor pago em juros e inadimplência
Pessoas físicas — comparação entre os primeiros semestres de 2024,2025 e 2026

Fonte: BCB/SGS, IBGE e FecomercioSP

Embora a renda familiar tenha aumentado 7,4%, passando de R$ 3,278 trilhões para R$ 3,521 trilhões, o gasto com juros avançou em ritmo superior. De acordo com a Federação, esse movimento reduz os recursos disponíveis para consumo ou poupança. Ao mesmo tempo, o volume de dívidas das pessoas físicas em atraso há mais de 90 dias cresceu 20,3% em relação ao primeiro semestre de 2025, alcançando R$ 186,9 bilhões. A FecomercioSP observa que o cenário combina maior desembolso com encargos e aumento dos valores inadimplentes.

Somados os resultados de famílias e empresas, os juros pagos chegaram a R$ 674 bilhões no período, alta de 7,4% em um ano. O estoque de débitos vencidos há mais de 90 dias atingiu R$ 251,4 bilhões, crescimento de 17,7%. Na comparação com 2024, o montante inadimplente aumentou 39,4% em termos reais.

Valor pago em juros e inadimplência
Pessoas físicas e jurídicas — comparação entre os primeiros semestres de 2024,2025 e 2026

Fonte: BCB/SGS, IBGE e FecomercioSP

Crédito mais caro e inadimplência em alta

Mesmo com as condições financeiras mais restritivas, o crédito às pessoas físicas continuou crescendo. O saldo consolidado das operações com recursos livres aumentou 6,1% em termos reais, descontada a inflação, e somou R$ 2,353 trilhões. As concessões de novos empréstimos avançaram 5,1%, para R$ 2,025 trilhões.

Esse financiamento, porém, ficou mais caro. A taxa média mensal equivalente passou de 3,69% para 3,83% entre os primeiros semestres de 2025 e 2026. No mesmo intervalo, a taxa de inadimplência das operações com atraso superior a 90 dias subiu de 6,5% para 7,37%. Em 2024, estava em 5,59%.

Entre as empresas, o pagamento de juros totalizou R$ 158,6 bilhões, ante R$ 158,1 bilhões no primeiro semestre de 2025. A relativa estabilidade do desembolso ocorreu em um contexto de redução de 2,4% no saldo real do crédito e encarecimento das operações. A taxa média mensal equivalente aumentou de 1,68% para 1,76%. O valor dos débitos empresariais inadimplentes passou de R$ 58,3 bilhões para R$ 64,5 bilhões, avanço de 10,7%. Já a taxa de inadimplência subiu de 3,51% para 3,98%, mantendo a trajetória de elevação observada desde 2024, quando estava em 3,36%.

Para o comércio, os dados apontam pressões sobre as duas pontas da atividade: consumidores com maior parcela da renda destinada a encargos financeiros e empresas com crédito mais caro e aumento das dificuldades de pagamento.


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