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 O mercado de trabalho do comércio varejista de material de construção da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) aumentou em 96 postos de trabalho no último mês de agosto, interrompendo série de dois meses seguidos de retração do indicador, segundo o Novo Caged. Mesmo com um saldo positivo, as 96 novas vagas caracterizam a criação mais fraca de empregos para o período da série histórica do Novo Caged, que se iniciou a partir de 2020. Como exemplo, em comparação a agosto de 2025, a atual geração de vínculos foi 73% inferior.

Saldos de empregos do varejo de materiais de construção – RMSP

Fonte: Novo Caged

Com base num estoque de mais de 91 mil empregos com carteira assinada ativos no varejo de material da Grande São Paulo, o aumento recente pode até mesmo ser considerado uma estabilidade do indicador. Ainda assim, cabe destacar que em agosto os melhores resultados vieram dos varejos de material de construção em geral (+70 vagas) e do segmento de materiais elétricos (+57 vagas). Por outro lado, chamou atenção a perda de 86 postos de trabalho nos estabelecimentos comercializadores de vidros.

Movimentação e estoque de empregos celetistas – RMSP – agosto de 2026

Já no acumulado de janeiro a agosto de 2026, o setor apresenta um ganho residual de 40 postos de trabalho na RMSP. Se, por um lado, tal tímida evolução pode ser avaliada novamente como uma estabilidade, ao compará-la com o mesmo recorte temporal dos anos anteriores, é possível verificar que o resultado é o pior desde 2020.

 Saldos de empregos do varejo de materiais de construção – RMSP – janeiro a agosto de 2026

Fonte: Novo Caged

E a realidade do acumulado no ano só não é mais agravada devido ao bom resultado de empregabilidade no segmento de materiais elétricos, que nos oito meses de 2026 soma uma geração de 249 vagas.

Movimentação e estoque de empregos celetistas – RMSP – janeiro a agosto de 2026

O economista Jaime Vasconcellos comenta que, se por um lado, o saldo positivo de agosto interrompeu duas quedas mensais consecutivas, por outro, o resultado não elimina a fragilidade do mercado de trabalho do setor. “Agosto registrou o pior saldo para o mês em toda a série histórica, contribuindo para que, no acumulado do ano, o varejo de material de construção da RMSP apresente a geração de empregos celetistas mais fraca dos últimos seis anos”.

A trajetória arrefecida do emprego no setor reflete uma realidade que começa no orçamento das famílias, pressionado por níveis elevados de endividamento e inadimplência e, consequentemente, por um maior comprometimento da renda. “Ao mesmo tempo, a capacidade de ampliar o consumo por meio do crédito permanece limitada, diante de juros elevados e de uma oferta mais seletiva. Esse ambiente restringe a demanda, enfraquece as vendas do varejo e, como consequência, reduz a necessidade de novas contratações e aumenta a pressão sobre o nível de emprego”, destaca. Em sua opinião, trata-se, portanto, de um cenário de atenção que não surgiu agora e que ainda reúne fatores capazes de limitar uma recuperação mais consistente do mercado de trabalho no curto prazo. “Para o varejo de material de construção, a combinação entre consumo mais contido, crédito caro e menor ritmo de vendas manterá o ambiente desafiador para a geração de empregos nos próximos meses”, finaliza.


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