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O avanço da população com 60 anos ou mais está alterando o perfil de consumo no Estado de São Paulo e abre espaço para que o varejo de material de construção desenvolva produtos, serviços e ações voltados a esse público. Dados da Fundação Seade mostram que, em 2025, o Estado alcançou a marca de 101 pessoas com 60 anos ou mais para cada 100 crianças e adolescentes com menos de 15 anos. A mudança é significativa quando observada em perspectiva histórica. Em 1950, eram apenas 11,6 idosos para cada 100 pessoas com menos de 15 anos. O indicador passou para 34,1 em 2000, 53,9 em 2010 e 82,3 em 2020, até superar pela primeira vez a marca de 100 em 2025. Em 75 anos, portanto, o índice de envelhecimento paulista cresceu 8,7 vezes.

Atualmente, São Paulo reúne 8,4 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, equivalentes a 18,4% dos habitantes do Estado. As mulheres representam a maior parcela desse contingente. Outro dado chama a atenção: 549 mil paulistas têm exatamente 60 anos e integram a geração X. O grupo com 60 anos ou mais já se aproxima numericamente da população entre 45 e 60 anos, formada por 9,2 milhões de pessoas.

Esse cenário reforça a importância do chamado mercado prateado, formado pelas atividades econômicas relacionadas às necessidades e ao consumo da população mais velha. Para as lojas de material de construção, uma das possibilidades está na adaptação das residências para proporcionar mais segurança, conforto e autonomia.

Guia orienta lojistas sobre oportunidades

Para auxiliar os comerciantes, o Sincomavi preparou o guia Casa Segura 60+, que reúne informações sobre produtos, organização da loja, atendimento, comunicação e ações comerciais direcionadas a esse mercado. O material mostra que diferentes áreas de uma residência podem demandar adaptações e que boa parte das soluções já integra o sortimento tradicional das lojas do setor.

No banheiro, por exemplo, há espaço para barras de apoio, bancos e cadeiras de banho, bacias sanitárias mais altas, assentos elevados, duchas manuais, torneiras de alavanca, pisos e tratamentos antiderrapantes, além de soluções para eliminar desníveis. Quartos, corredores e escadas também podem receber sensores de presença, balizadores, interruptores próximos à cama, corrimãos, fitas de contraste nos degraus, rampas de soleira e maçanetas de alavanca.

A oportunidade não se limita à exposição dos produtos. O guia propõe adequações no próprio ponto de venda, como corredores livres, sinalização com letras maiores e bom contraste, locais para espera, carrinhos leves e atendimento que explique as soluções com clareza, sem infantilizar o consumidor. Outra possibilidade é montar um espaço demonstrativo de banheiro seguro, permitindo que o cliente conheça barras, bancos e outros itens instalados.

A comunicação também merece atenção. A recomendação é trabalhar conceitos relacionados à segurança, conforto e autonomia, evitando associar envelhecimento exclusivamente à fragilidade. Além da própria pessoa com 60 anos ou mais, filhos e netos podem participar da decisão de compra, principalmente quando a necessidade envolve adaptações na residência.

O 1º de outubro, Dia Nacional e Internacional da Pessoa Idosa, oferece ao comércio uma oportunidade para colocar essas ações em prática. Em vez de concentrar uma promoção apenas na data, o lojista pode utilizá-la como ponto de partida para uma agenda ao longo de outubro, reunindo ofertas, exposição temática, orientação e serviços relacionados à segurança residencial. Entre as possibilidades apresentadas no guia estão reunir barras de apoio, fitas antiderrapantes, iluminação com sensor e maçanetas de alavanca em uma mesma área da loja, criar condições comerciais específicas e, durante o mês, estruturar conjuntos de produtos para adaptação de banheiros, distribuir materiais de orientação e promover atividades sobre segurança dentro de casa.

O envelhecimento da população paulista indica que essas iniciativas não precisam ficar restritas ao calendário de outubro. O crescimento contínuo do contingente com 60 anos ou mais amplia a importância desse consumidor para o planejamento comercial, o atendimento e a definição do mix de produtos. Nesse contexto, o guia Casa Segura 60+ do Sincomavi oferece aos lojistas referências para avaliar como atender esse público e incorporar o mercado prateado à estratégia do negócio.

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