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O comércio foi o principal responsável pelo crescimento da movimentação financeira das pequenas e médias empresas (PMEs) em agosto de 2026. É o que mostra o Índice Omie de Desempenho Econômico das PMEs (IODE-PMEs), que registrou alta de 1,0% na comparação com o mesmo mês do ano passado. No acumulado do ano, o avanço chega a 2,9%, em um cenário ainda marcado por baixo ritmo de expansão.

Entre os setores analisados, o comércio apresentou crescimento de 1,3% em relação a agosto de 2025, resultado impulsionado tanto pelo atacado quanto pelo varejo. Apenas o segmento de veículos registrou retração no período.

Segundo Felipe Beraldi, economista da Omie, o desempenho das PMEs continua limitado pelas condições econômicas. “O mercado de PMEs enfrenta dificuldade para alavancar o faturamento real desde o segundo trimestre deste ano. Isso acontece em meio a um cenário econômico complexo, marcado por juros ainda em níveis elevados, alto grau de endividamento das famílias e das empresas e queda persistente da confiança dos agentes econômicos”, afirma.

O levantamento também mostra que o ambiente de negócios permanece desafiador para as pequenas e médias empresas. A Sondagem Omie das PMEs, realizada em agosto, aponta que 54% dos empresários esperam impactos negativos da conjuntura econômica sobre seus negócios no curto prazo. As taxas de juros elevadas aparecem como a principal dificuldade para 59% dos entrevistados.

Embora o Banco Central tenha promovido cortes graduais na taxa Selic e a inflação tenha apresentado desaceleração em agosto, o custo do crédito continua elevado, restringindo investimentos e o financiamento das operações das empresas.

No desempenho dos demais setores, a indústria registrou alta de 0,8%, impulsionada principalmente pelos segmentos de fabricação de papel, alimentos e produtos químicos. Os serviços permaneceram praticamente estáveis, com variação positiva de 0,2%, enquanto a infraestrutura foi o único segmento em retração, com queda de 2,2%, refletindo, sobretudo, o desempenho da cadeia da construção civil.

De acordo com a Omie, o cenário para as PMEs segue condicionado à evolução dos juros, do crédito e da confiança de empresários e consumidores. A expectativa é de que eventuais reduções adicionais na taxa básica de juros produzam efeitos graduais sobre a atividade econômica ao longo dos próximos meses.


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