O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, passando de 14% para 13,75% ao ano. A decisão, anunciada nesta quarta-feira (16), já era esperada pelo mercado financeiro e foi acompanhada por diferentes avaliações sobre seus impactos na atividade econômica, nos investimentos e no consumo.
Na análise de Roberto Padovani, economista-chefe do banco BV, o principal foco da decisão esteve na comunicação do Banco Central, que manteve praticamente inalterada a sinalização apresentada na reunião anterior. Segundo ele, a autoridade monetária reiterou a preocupação com os riscos inflacionários e indicou que os próximos passos dependerão da evolução dos indicadores econômicos.
Para Padovani, o quadro mais provável é de interrupção temporária do ciclo de cortes. “No nosso cenário aqui no banco, a gente imagina que ele vai fazer uma pausa até ter mais segurança na convergência da inflação. Portanto, a gente fecharia Selic nesse ano em 13,75%, retomando o processo de corte no ano que vem”, analisa.
A avaliação também é acompanhada por entidades representativas de diferentes setores da economia. A Associação Paulista de Supermercados (APAS) considera que a inflação apresenta trajetória de desaceleração e defende a continuidade da redução dos juros para estimular o consumo das famílias e ampliar os investimentos.
Felipe Queiroz, economista-chefe da APAS, acredita que os indicadores recentes apontam um ambiente favorável para cortes mais intensos na taxa básica. Segundo ele, embora a decisão represente um avanço, o atual patamar dos juros ainda limita o crescimento da atividade econômica e reduz a competitividade do País ao desestimular investimentos produtivos.
No setor imobiliário, a Associação das Empresas de Loteamento e Desenvolvimento Urbano (AELO) avalia que a redução da Selic sinaliza uma melhora gradual do ambiente para novos investimentos. A entidade destaca que o custo do dinheiro exerce influência direta sobre os empreendimentos de loteamentos, que dependem majoritariamente de recursos próprios para financiar a produção.
De acordo com Caio Portugal, a redução é positiva, mas o setor permanece atento às condições macroeconômicas. “O loteamento é uma atividade de longo prazo e precisa de um ambiente que permita ao empreendedor planejar, investir e oferecer ao consumidor alternativas de moradia formal a custos compatíveis”, afirmou.
Apesar da convergência na avaliação de que a redução representa um passo favorável para a economia, os especialistas destacam que o ritmo dos próximos movimentos dependerá do comportamento da inflação e das condições econômicas nos próximos meses.
























