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Levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), com base em dados do Banco Central, mostra que as empresas brasileiras acumularam, no segundo trimestre deste ano, R$ 86,1 bilhões em operações de crédito com atraso superior a três meses. O montante é o maior da série histórica e representa um aumento de 24% em relação ao mesmo período do ano passado, o equivalente a quase R$ 17 bilhões, já considerada a inflação.

Analise realizada pela entidade aponta que o avanço da inadimplência está relacionado, principalmente, aos efeitos do ciclo de juros elevados entre 2022 e 2025, que agora se refletem com maior intensidade na capacidade de pagamento das empresas. Embora o volume total de crédito tenha crescido apenas 2,3%, a parcela das operações em atraso passou de 2,7% para 3,3%, indicando que a dificuldade está no pagamento das dívidas, e não no aumento do endividamento. A FecomercioSP observa ainda em seu estudo que o cenário reflete igualmente a combinação de crédito mais acessível para um número maior de empresas com dificuldades enfrentadas por diferentes setores da economia. Entre os fatores estão a desaceleração do consumo, pressionado pela inflação e pelo avanço das apostas esportivas, além dos desafios enfrentados pelo agronegócio e pela indústria.

Crédito das empresas em atraso (PJ)

Fonte: Banco do Brasil/FecomercioSP

Pequenas e médias empresas concentram maior pressão

As pequenas e médias empresas registraram os maiores níveis de inadimplência de sua história, segundo o relatório. Juntas, elas respondem por cerca de 43% da carteira de crédito, mas concentram aproximadamente três quartos de todo o valor em atraso. As pequenas empresas acumulam R$ 33,4 bilhões em operações inadimplentes, enquanto as médias somam R$ 31,7 bilhões. Entre estas últimas, o crescimento do valor em atraso foi de 34% em um ano. Já as microempresas registraram a maior variação no período, com alta de 45%, passando de R$ 6,9 bilhões para R$ 9,9 bilhões.

Em contrapartida, as grandes empresas concentram quase metade do crédito disponível e apresentam índices de atraso inferiores à média nacional, reflexo de maior capacidade financeira e melhores condições de acesso ao crédito.

A pesquisa também revela que o aumento da inadimplência ocorre de forma disseminada pelo País. Dezoito das 27 unidades da Federação registraram o maior volume histórico de crédito empresarial em atraso. Os maiores crescimentos anuais ficaram por conta de Paraíba, Amapá, Rio Grande do Sul e Amazonas. Em São Paulo, o estoque de operações inadimplentes alcançou R$ 23 bilhões, equivalente a 27% de todo o crédito empresarial em atraso no Brasil.

Na avaliação da FecomercioSP, o cenário ainda não apresenta sinais consistentes de melhora. A entidade destaca que a relação entre dívida e Produto Interno Bruto (PIB), associada às incertezas econômicas e ao impacto defasado da política monetária, tende a manter a pressão sobre as empresas. Mesmo com eventual redução dos juros, o efeito sobre a recuperação financeira dos negócios deve ocorrer de forma gradual, já que o alívio nas contas costuma levar cerca de um ano para ser percebido.


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