Levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas mostra que a satisfação dos brasileiros com o trabalho voltou a crescer nos últimos dois meses. No trimestre encerrado em agosto de 2026, 78,1% dos entrevistados afirmaram estar satisfeitos ou muito satisfeitos com a ocupação principal, segundo dados Sondagem do Mercado de Trabalho. O estudo revela ainda que o percentual avançou após quatro quedas consecutivas. Em junho, 76,5% dos participantes se declaravam satisfeitos ou muito satisfeitos. A proporção passou para 77,2% em julho e chegou aos atuais 78,1%. Já os trabalhadores insatisfeitos ou muito insatisfeitos representaram 7,5% em agosto.
Entre os motivos apontados para a insatisfação, a baixa remuneração aparece em primeiro lugar, citada por 52,5% dos respondentes insatisfeitos. Na sequência estão a carga horária elevada, com 20,2%, e questões relacionadas à saúde mental, com 13,8%. Como era possível indicar mais de uma alternativa, a soma das respostas supera 100%.
Rodolpho Tobler, superintendente adjunto do FGV IBRE, comenta que, depois de uma sequência negativa, a percepção sobre a satisfação com o trabalho voltou a subir nos dois últimos meses, iniciando o segundo semestre em uma trajetória mais favorável, aumentando a distância em relação ao mesmo período do ano anterior. Em sua opinião, o resultado reforça a percepção de resiliência do mercado de trabalho, apesar dos sinais de desaceleração da economia brasileira.
Renda e percepção sobre o mercado
A sondagem também aponta que 70,6% dos entrevistados consideraram suficiente a renda obtida com o trabalho para cobrir despesas essenciais, como moradia, educação, alimentação e saúde. Entre os itens que mais impactam o orçamento familiar, alimentação foi mencionada por 81,9%, seguida pelas contas de serviços públicos, com 57,8%, e aluguel ou financiamento da moradia, com 46%.
Em relação à manutenção do emprego ou da principal fonte de renda nos seis meses seguintes, 60,5% avaliaram a possibilidade de perda como improvável ou muito improvável. Outros 12,2% consideraram a ocorrência provável ou muito provável.
A avaliação sobre a facilidade de conseguir trabalho, porém, apresenta um quadro mais restritivo. Em agosto, 55,7% classificaram como difícil ou muito difícil conseguir uma ocupação no País, enquanto 25,6% consideraram fácil ou muito fácil.
























