As famílias com renda mensal de até três salários mínimos foram as únicas a registrar aumento da inadimplência em agosto de 2026. A proporção de consumidores desse grupo com dívidas em atraso passou de 38,5% em julho para 38,8%, alta de 0,3 ponto percentual. Os dados fazem parte da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada nesta quinta-feira (10) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Entre as famílias de menor renda, o endividamento também avançou 0,2 ponto percentual e alcançou 85,1%. A parcela que declarou não ter condições de quitar as pendências subiu 0,5 ponto percentual, chegando a 18,3%.
No conjunto das famílias brasileiras, o percentual com dívidas a vencer permaneceu em 82%, mesmo patamar recorde registrado em julho e sétimo resultado máximo consecutivo. Em agosto de 2025, o indicador estava em 78,8%.
A inadimplência geral aumentou 0,1 ponto percentual no mês, atingindo 29,9% das famílias. Já a parcela que declarou não ter condições de pagar as contas atrasadas chegou a 12,5%, maior nível desde fevereiro. O grupo que se considera “muito endividado” avançou para 17,4%, enquanto os “pouco endividados” recuaram para 34,9%.
“Estamos chegando ao último trimestre do mesmo jeito que começamos o ano, com recorde de endividamento e crescimento da inadimplência”, afirma José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac. Segundo ele, o cenário de juros elevados reforça esse ciclo desde meados de 2025. Já Fabio Bentes, economista-chefe da CNC, relaciona o quadro à situação financeira das famílias de menor renda. “A fragilização financeira da base da pirâmide reflete a dependência do crédito para a manutenção do consumo básico e mantêm o quadro de endividamento no patamar recorde”, destaca.
Pressão sobre o orçamento
O levantamento mostra ainda que 33,4% das famílias possuem dívidas contratadas por prazos superiores a um ano. O alongamento, porém, não impediu o aumento da inadimplência. O tempo médio de atraso das contas chegou a 65 dias, interrompendo uma sequência de três meses de melhora do indicador. Ao mesmo tempo, 19,2% das famílias comprometeram mais da metade dos rendimentos com dívidas, maior proporção desde março. O comprometimento médio da renda permaneceu estável em 29,5%.
Nas demais faixas de rendimento, o comportamento foi diferente. Entre as famílias que recebem de três a cinco salários mínimos, o endividamento caiu de 85,1% para 83,7%, enquanto as dívidas em atraso recuaram para 28%. Na faixa de cinco a dez salários mínimos, o endividamento diminuiu 1,4 ponto percentual, para 77,2%. As dívidas em atraso caíram 1,1 ponto percentual, chegando a 20,3%, e a parcela sem condições de pagamento recuou 1 ponto percentual, para 7,8%. Entre as famílias com renda superior a dez salários mínimos, o endividamento avançou 0,3 ponto percentual, alcançando 72,3%, enquanto a inadimplência recuou para 14,9%.
Diante do maior comprometimento do orçamento e do aumento do tempo médio de atraso, a CNC projeta crescimento das contas em atraso no próximo trimestre. A entidade avalia que será necessária uma redução gradual do endividamento para a estabilização financeira dos orçamentos domésticos.
























