O Brasil pode registrar em 2026 um dos maiores níveis de fechamento de empresas do varejo dos últimos anos. A projeção faz parte de estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (IBEVAR), em parceria com a FIA Business School, que analisou dados de 13 segmentos entre 2011 e 2022.
O modelo estatístico desenvolvido pelos pesquisadores isolou o efeito de cada ano sobre o encerramento das atividades empresariais, descontando características estruturais específicas de cada setor. Os resultados indicam que os maiores impactos da série ocorreram em períodos marcados por crises institucionais e políticas combinadas a outros fatores econômicos.
Em 2018, ano da greve dos caminhoneiros, das eleições presidenciais e do desgaste provocado pela Operação Lava Jato, o impacto calculado foi de 25,9 pontos percentuais adicionais no fechamento de empresas. O resultado representa o maior choque identificado no período analisado. O segundo maior impacto ocorreu em 2021, quando a reversão da formalização por meio do Microempreendedor Individual (MEI) coincidiu com o aumento da taxa Selic, que passou de 2% para 9,25% em 12 meses. O efeito estimado foi de 21,3 pontos percentuais.
Os números superaram os registrados durante a recessão de 2015 e 2016. Segundo o levantamento, o período, marcado por queda de aproximadamente 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB), acrescentou 5,5 pontos percentuais ao fechamento de empresas.
“Os dados são claros: crise política e ruptura institucional fecham mais empresas do que recessão econômica pura. O mercado brasileiro tolera mal a incerteza institucional — muito pior do que tolera a incerteza econômica convencional”, afirma Claudio Felisoni, presidente do IBEVAR e professor da FIA Business School.
Impactos variam entre segmentos
O levantamento também identificou diferenças estruturais entre as atividades do varejo. Vestuário e Acessórios apresentou o maior índice de fechamento crônico, com 20,35 pontos acima da referência. Na sequência aparecem Alimentos Especializados, com 14,5 pontos, e Tecidos e Armarinho, com 10,6 pontos. No sentido contrário, Farmácias e Saúde, com 2,5 pontos negativos, e Esporte e Lazer, com 4,6 pontos negativos, apresentaram maior resistência aos períodos analisados.
Essa diferença, entretanto, diminui diante de crises de maior intensidade. Em 2018, até o segmento apontado como mais resistente registrou taxa de fechamento de 23,5%, acima do pior resultado observado em um ano considerado normal para o setor mais vulnerável da série.
Para avaliar 2026, os pesquisadores compararam o cenário atual com quatro situações históricas consideradas pelo modelo: ano normal, 2015, 2018 e 2021. De acordo com o estudo, as características do atual ano eleitoral e o ambiente de crise institucional aproximam o período de 2018, e não do choque predominantemente macroeconômico registrado em 2015. “Pelos parâmetros históricos, 2026 não se parece com 2015 — se parece com 2018”, acrescenta Felisoni.
Caso essa analogia se confirme, o estudo aponta que o fechamento de empresas poderá alcançar patamares próximos aos observados nos dois períodos de maior impacto identificados na série histórica.
























