Espaço Publicitário

A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) alcançou 105,6 pontos em julho de 2026, maior patamar registrado desde março de 2015. O indicador, calculado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), avançou 0,1% em relação a junho e 2,6% na comparação com o mesmo período do ano passado. O resultado foi influenciado principalmente pelo aumento da disposição para a compra de bens duráveis, que cresceu 20% em 12 meses. A perspectiva de consumo também apresentou avanço de 1,1% no mês e chegou a 108,6 pontos.

O momento para aquisição de bens duráveis atingiu 77 pontos. O movimento ocorreu em um cenário de inflação mais moderada nessa categoria, que acumulou 0,78% em 12 meses até junho, diante de uma variação de 4,64% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no mesmo período. As condições de financiamento também apresentaram melhora. O acesso ao crédito avançou 0,8% no mês e 7,4% em 12 meses, alcançando 104 pontos. Já o nível de consumo atual chegou a 93 pontos, com altas de 0,1% no mês e 2,8% no ano.

Para José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, os números mostram uma melhora gradual na disposição das famílias para consumir. Segundo ele, o comportamento dos bens duráveis está relacionado, entre outros fatores, à desaceleração da inflação observada em 2026.

Mercado de trabalho gera cautela

Apesar do avanço do indicador geral, a perspectiva profissional apresentou queda pelo terceiro mês consecutivo e recuou para 106 pontos. A redução foi de 1,3% no mês e de 8,7% em relação a julho de 2025, sendo a única variação negativa da pesquisa na comparação anual. O emprego atual, por outro lado, avançou 0,4% no mês e 1,5% em 12 meses, atingindo 127,7 pontos. Entre os entrevistados, 42,2% declararam sentir segurança na ocupação.

A percepção sobre os próximos meses mostrou maior cautela. Embora 48,6% das famílias permaneçam otimistas em relação à perspectiva profissional, esse é o menor percentual registrado desde novembro de 2022. A percepção da renda atual também caiu 0,2% no mês, para 124 pontos.

Catarina Carneiro, economista da CNC, avalia que a combinação entre maior disposição para consumir e menor confiança na perspectiva profissional indica um comportamento mais criterioso das famílias. Em sua opinião, oa consumidores aproveitam a redução da pressão dos preços dos bens duráveis e a segurança atual no emprego para realizar compras maiores, mas mantêm cautela diante das incertezas sobre renda e mercado de trabalho.

A pesquisa também identificou diferenças conforme a faixa de renda. Entre as famílias que recebem até dez salários mínimos, a intenção de consumo avançou 0,1% no mês e 2,9% em 12 meses, chegando a 103,2 pontos. Nesse grupo, o acesso ao crédito cresceu 1,1%, enquanto o nível de consumo atual aumentou 3,8% na comparação anual. Nas famílias com renda superior a dez salários mínimos, o indicador interrompeu uma sequência de sete meses de crescimento e permaneceu estável em julho, aos 118,2 pontos. O grupo registrou queda de 0,6% no acesso ao crédito e de 0,8% na perspectiva profissional, além de recuo anual de 0,6% no nível de consumo atual.


Espaço Publicitário