A Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista (PCCV), realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), em parceria com a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (Sefaz/SP), revela que o comércio de materiais de construção registrou queda de 7,5% no faturamento real em abril de 2026, na comparação com o mesmo mês do ano passado. O resultado acompanha o processo de desaceleração observado no comércio varejista do Estado de São Paulo que apresentou retração de 6,9% no período.
Para dar ideia do impacto da queda, o faturamento real do comércio atingiu R$ 122,1 bilhões em abril, valor R$ 9 bilhões inferior ao apurado no mesmo mês de 2025. Essa desaceleração ocorre após um ciclo de crescimento praticamente ininterrupto desde a retomada das atividades após a pandemia, que levou o comércio paulista a atingir faturamento recorde no ano passado. Inicialmente, o movimento atingiu principalmente segmentos mais dependentes do crédito e do consumo não essencial, entre eles o de materiais de construção.
Juros e crédito pressionam consumo
Os principais fatores apontados apontados para esse cenário são a forte base de comparação, os juros elevados, a inflação acima do teto da meta e o nível de endividamento e inadimplência das famílias. Essas condições têm reflexos sobre o consumo e começam a alcançar também atividades ligadas às compras do cotidiano.
De janeiro a abril, as vendas varejistas acumularam queda de 5,1%, equivalente a R$ 25,9 bilhões a menos em faturamento na comparação com o mesmo período do ano passado. Das nove atividades analisadas pela PCCV, somente as concessionárias de veículos apresentaram crescimento real no acumulado, com alta de 8,3%. Entre os segmentos que registraram retração estão eletrodomésticos, eletrônicos e lojas de departamentos, com queda de 30,1%; autopeças e acessórios e outras atividades, ambos com recuo de 9,1%; supermercados, 7,7%; lojas de vestuário, tecidos e calçados, 7,6%; materiais de construção, 7,5%; lojas de móveis e decoração, 5,9%; e farmácias e perfumarias, 0,4%.
Os resultados indicam que a perda de ritmo, antes mais concentrada nas atividades sensíveis às condições de crédito, passou a atingir diferentes áreas do comércio paulista.
























