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A Câmara Brasileira de Materiais de Construção (CBMC) reuniu no dia 11 de maio de 2026, em Brasília, lideranças empresariais e representantes das Federações do Comércio de todo o País para discutir temas estratégicos para o setor, como reforma tributária, concorrência no varejo, sustentabilidade, crédito habitacional e propostas relacionadas à jornada de trabalho. O encontro contou com a participação de representantes da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e integrantes do Sistema Sindical do Comércio.Os trabalhos foram conduzidos pelo coordenador da CBMC e presidente da Fecomércio-MT, José Wenceslau de Souza Júnior, com mediação da gerente da Assessoria das Câmaras Brasileiras do Comércio e Serviços (ACBCS) da CNC, Andrea Marins.

Durante os debates sobre sustentabilidade econômica e os impactos regulatórios sobre o varejo físico, Cláudio Araújo de Lima, diretor do Sincomavi e da FecomercioSP, realizou uma apresentação especial e destacou a importância do comércio varejista de materiais de construção para a geração de empregos, dinamização urbana e fortalecimento da economia local.  Em sua participação, ele comentou que as políticas públicas precisam considerar a realidade enfrentada pelo varejo físico diante do avanço do comércio digital e do aumento das exigências regulatórias. “As lojas físicas são obrigadas a seguir os regulamentos do INMETRO para produtos ou normas rígidas do PROCON”, ressaltou. A fiscalização no comércio online, por outro lado, se mostra muito difícil para esses órgãos e dependem de denúncia, causando problemas não só para outros comerciantes, mas também para os consumidores. Ele lembrou ainda que as empresas nacionais estão sujeitas a cumprir uma legislação trabalhista enorme, o que não ocorre em outros países que enviam seus produtos ao Brasil. “E queira ou não queira, isso é custo”, afirmou.

A venda direta pelas indústrias, que consegue, muitas vezes, recorrer a elisão fiscal, e os desvios de conduta promovidos dentro de alguns marketplaces, como a comercialização de produtos sem Nota Fiscal e outras irregularidades relacionadas ao não cumprimento de normas obrigatórias, acabam por tornar a concorrência desequilibrada. “Agora, com a Medida Provisória para o fim da ‘taxa das blusinhas’, o cenário se agravou ainda mais”, comentou.

Outro ponto abordado é o efeito de tal situação à economia local, muitas vezes um tema relegado ao segundo plano. “A defesa do varejo nacional é também a defesa da cidade viva, do emprego, da justiça fiscal e da coesão social”, afirmou Cláudio durante o encontro. Ele ressaltou ainda que discutir sustentabilidade no setor passa pela criação de condições para que as empresas permaneçam competitivas e economicamente viáveis. “Os impactos sociais e urbanos provocados pelo enfraquecimento do varejo físico, especialmente em bairros e cidades menores, são enormes”, comentou. “Isso já é uma realidade em muitos municípios”. Em sua opinião, a perda de competitividade do comércio presencial pode gerar redução na oferta de empregos, diminuição da circulação de recursos na economia local, fim de muitos negócios e aumento de imóveis vazios, com reflexos diretos na segurança urbana.

A agenda ambiental também esteve entre os destaques da reunião. A especialista em Sustentabilidade da CNC, Thainy Bressan, abordou temas ligados à logística reversa, economia circular e certificações ambientais, alertando para o impacto operacional e financeiro das novas exigências sobre o varejo de materiais de construção. Ao final do debate, Cláudio Araújo de Lima e Thainy defenderam que a sustentabilidade econômica, social e ambiental avance de forma gradual e dialogada, preservando a competitividade do comércio e sua função social. “A palavra usada é equilíbrio. Ninguém quer mais nada além disso: equilíbrio nas relações de consumo. Ninguém está pedindo benefício ou proteção de mercado. O que a gente está pedindo é isonomia”, concluiu Cláudio.

Apresentação

Fotos: Paulo Negreiros


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