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Dados coletados pela Confederação Nacional de Bens, Serviços e Turismo (CNC) revelam que houve um aumento no interesse do consumidor por novas compras. Em abril, a intenção de consumo das famílias registrou alta de 1,2% e foi o sexto mês consecutivo de crescimento – o indicador alcançou os 104,5 pontos.

O principal destaque foi o componente Momento para Compra de Duráveis, com avanço de 2,5% na comparação mensal e de 18,8% em relação a abril de 2025. Apesar da evolução, o subíndice permanece em nível considerado abaixo da zona de satisfação, com 74,0 pontos, indicando recuperação ainda em curso.

A melhora é sustentada por um cenário de preços mais favorável. Em março, eletrodomésticos registraram queda de 0,15% e veículos, de 0,05%. No acumulado de 12 meses, os eletrodomésticos apresentaram deflação de 7,19%, enquanto a inflação geral ficou em 4,14%. A valorização cambial também contribui ao reduzir custos de itens importados ou com componentes externos.

“Para que esse otimismo seja duradouro, é necessário mantermos o compromisso com o equilíbrio fiscal e a segurança jurídica, permitindo uma flexibilização do crédito que impulsione o setor terciário. Esperamos que o Desenrola seja a primeira das medidas por parte dos agentes públicos para devolver poder de compra ao consumidor brasileiro”, afirma José Roberto Tadros, presidente do sistema CNC-Sesc-Senac.

Mercado de trabalho e renda

Os sete componentes da ICF apresentaram alta em abril. A Renda Atual avançou 1,3% no mês e 1,8% no comparativo anual. A Perspectiva Profissional cresceu 2% frente a março, embora ainda acumule queda de 5,4% em 12 meses. Já o indicador de Emprego Atual subiu 0,8% no mês e manteve estabilidade na comparação anual.

Segundo a CNC, o mercado de trabalho segue em nível favorável, mas com sinais de acomodação, o que mantém cautela das famílias quanto à evolução futura do emprego. O avanço do consumo foi mais intenso entre as famílias com renda de até 10 salários mínimos, cuja ICF cresceu 1,3% no mês e 3,7% no ano. Entre as famílias de maior renda, a alta foi de 1,2% no mês e 1,3% no comparativo anual. “O fôlego extra para as famílias de menor renda é explicado pelo diferencial inflacionário: o INPC, que mede o consumo de 1 a 5 salários mínimos, acumulou alta de 3,77% em 12 meses até março, ficando abaixo do IPCA geral para os outros públicos”, explica a economista da CNC Catarina Carneiro.

Apesar da sequência de resultados positivos, o nível de consumo atual, medido em 91,6 pontos, ainda permanece abaixo da linha de satisfação. A CNC avalia que o ambiente econômico segue restritivo, com juros elevados limitando decisões de consumo, mesmo diante da renda em alta e da resiliência do mercado de trabalho.


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