O avanço do custo de vida na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) perdeu força em abril, mas a alta de despesas essenciais continua limitando o poder de compra das famílias. O índice Custo de Vida por Classe Social (CVCS), medido pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), registrou variação de 0,44% no mês, abaixo dos 0,72% observados em março. O levantamento mostra ainda que, no acumulado de 12 meses, o custo de vida na região avançou 4,92%.
Custo de Vida (segmentos) — abril/2026

Fonte: IBGE/Elaboração: FecomercioSP
O acompanhamento é realizado por meio do índice Custo de Vida por Classe Social (CVCS), composto pelo Índice de Preços do Varejo (IPV) e pelo Índice de Preços de Serviços (IPS). O indicador avalia mensalmente a variação dos preços de produtos e serviços em oito categorias que impactam o orçamento das famílias. Segundo a FecomercioSP, o cenário atual reflete uma inflação menos associada a fatores sazonais e mais influenciada por pressões estruturais, como os custos dos combustíveis, da logística e dos serviços de saúde.
Intertítulo: Saúde, alimentação e combustíveis mantêm pressão
O grupo de saúde apresentou a maior variação em abril, com alta de 1,56%. O resultado foi impulsionado pelo reajuste dos medicamentos e respondeu por cerca de 0,20 ponto porcentual do índice geral. Entre os itens com maiores aumentos estão antibióticos (4,6%), hormônios (4,4%), anti-inflamatórios e antirreumáticos (3,8%), além de analgésicos e antitérmicos (3,5%). As famílias de menor renda foram as mais afetadas, com destaque para a classe E, que registrou alta de 2% nesse grupo.
Alimentos e bebidas também continuaram pressionando o orçamento, com variação de 0,48%. O avanço foi influenciado pelo aumento dos preços de cortes bovinos e de produtos in natura, como tomate, cenoura, alho, cebola e frutas. De acordo com a Federação, o encarecimento recente da arroba bovina ainda vem sendo repassado ao consumidor final, enquanto os custos logísticos, impactados pelos combustíveis, mantêm os preços elevados nos supermercados.
No grupo de transportes, a variação foi de 0,18%. A queda de 11,9% nas passagens aéreas ajudou a conter um avanço maior do índice, apesar da alta de 1,8% na gasolina e de 3,1% no óleo diesel. A FecomercioSP ressalta, contudo, que a redução das tarifas aéreas reflete aspectos metodológicos da coleta de preços realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o que pode fazer com que os reajustes recentes do setor sejam incorporados apenas nos próximos meses.
O levantamento também aponta diferenças entre as faixas de renda. No acumulado de 12 meses, a inflação foi mais intensa entre as famílias de menor poder aquisitivo. A classe E registrou alta de 5,4%, seguida pela classe D, com 5,32%. Entre as classes A e B, os índices acumulados foram de 4,75% e 4,52%, respectivamente.
Custo de Vida por Classe Social — abril/2026

Fonte: IBGE/Elaboração: FecomercioSP
Em abril, o Índice de Preços do Varejo (IPV) avançou 0,68%, acumulando alta de 3,29% em 12 meses. Já o Índice de Preços de Serviços (IPS) registrou variação de 0,18% no mês e acumulou avanço de 5,97% no mesmo período.
Para a FecomercioSP, a manutenção das pressões sobre alimentos, combustíveis e serviços de saúde indica a continuidade de um ambiente de custo de vida elevado nos próximos meses.
























