Pela nona vez consecutiva, o volume de vendas do comércio de material de construção no Estado de São Paulo contou com queda mensal, quando comparado com o mesmo mês do ano anterior, segundo dados da Pesquisa Mensal do Comércio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (PMC-IBGE). Em fevereiro de 2026, a retração em território paulista foi de 12,6%, a maior desde setembro de 2023 (-13,6%).
A queda ocorreu também de forma mais aguda no mercado brasileiro, de -8,5% – o pior resultado desde março de 2024 (-9,4%). Ainda em âmbito nacional, e comparado agora a janeiro (com ajuste sazonal), o volume de vendas do setor ficou apenas 0,5% superior.
Evolução mensal do índice de volume de vendas do comércio de materiais de construção – Mês contra mesmo mês do ano anterior (%)

Fonte: PMC – IBGE
No primeiro bimestre de 2026 as vendas de materiais de construção na economia paulista retraíram 8,4% em relação ao mesmo período do ano passado. No Brasil, a redução alcançou os 5,5%. Já em 12 meses, o volume do setor sofreu queda de 4,0% no Estado de São Paulo e -2,1% no mercado nacional. Bom lembrar que o IBGE considera estabelecimentos com mais de 20 funcionários e de Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAEs) tanto do varejo quanto do atacado especializado no comércio de materiais de construção para a elaboração de sua pesquisa.
Evolução do índice de volume de vendas do comércio de materiais de construção do Estado de São Paulo – Taxa acumulada de 12 meses (%)

Fonte: PMC – IBGE
O economista Jaime Vasconcellos comenta que realmente era esperada a continuidade da trajetória decrescente da performance do comércio de materiais de construção no Estado de São Paulo e no país. “Pelo lado conjuntural, os desafios não mudaram”, ressalta. “Temos no Brasil mais de 80% de famílias endividadas (recorde da série histórica) e quase um terço já em inadimplência, isto é, obrigações assumidas em atraso”. Tal cenário, de forte comprometimento de renda, aliado a juros altos e preços “salgados”, inibe consumo e, por consequência, a performance de setores do varejo, em especial aqueles dependentes de crédito e passíveis de adiamento de compra.
Ele ressalta ainda que, no caso dos dados de fevereiro de 2026, alia-se a este cenário macro e setorial o efeito de comparação com uma base forte, como foi o desempenho de fevereiro do ano passado, quando as vendas saltaram 10,5% no Estado de São Paulo. “Além disso, não podemos nos esquecer do calendário, dado que ano passado o carnaval ocorreu em março e este ano foi em fevereiro”, destaca. E complementa: “Isso altera os hábitos e frequência de consumo e ajudam a aumentar a amplitude das variações de vendas em ambos os meses”.
OBS: O Volume de Vendas observado pela PMC resulta da deflação dos valores nominais correntes da receita bruta de revenda por índices de preços específicos para cada grupo de atividade, e para cada Unidade da Federação, construídos a partir dos relativos de preços do IPCA e do Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil – SINAPI. A pesquisa também avalia apenas empresas com 20 ocupados ou mais.
























