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O percentual de famílias endividadas na cidade de São Paulo voltou a crescer em março, atingindo 71,1%, ante 70% em fevereiro, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da FecomercioSP. No mesmo período, a inadimplência subiu de 20,4% para 20,9%, indicando maior dificuldade das famílias em honrar compromissos financeiros. Ao todo, a capital reúne cerca de 3,2 milhões de lares endividados e aproximadamente 940 mil inadimplentes.

Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC)
12 meses

Fonte: FecomercioSP

Os dados apontam uma piora relativa nas condições financeiras das famílias, pressionadas principalmente por reajustes em despesas como transporte e educação. Mesmo com o mercado de trabalho ainda sustentando níveis positivos, cresce a necessidade de crédito para manter o consumo básico. Na avaliação da FecomercioSP, o cenário exige atenção, embora ainda não represente um risco imediato de retração mais ampla da economia local.

A inadimplência avançou em todas as faixas de renda. Entre famílias com rendimento de até dez salários mínimos, o percentual de inadimplentes passou de 25,2% para 25,6%. No grupo com renda superior, a taxa subiu de 8,6% para 9,2%. O endividamento também aumentou em ambos os recortes, alcançando 74,5% entre os de menor renda e 61,3% entre os de maior renda, níveis superiores aos registrados tanto no mês anterior quanto no mesmo período de 2025.

O cartão de crédito permanece como principal modalidade de dívida, concentrando 79,3% dos casos, seguido por financiamento imobiliário (16%), crédito pessoal (12,3%) e financiamento de veículos (10,5%). O crédito consignado, por sua vez, atingiu 5,8%, o maior patamar desde outubro de 2024. Entre os inadimplentes, o tempo médio de atraso subiu para 66 dias, reforçando o quadro de maior pressão sobre o orçamento doméstico.

Apesar desse avanço, a parcela da renda comprometida com dívidas recuou para 26,7%, um dos menores níveis da série histórica. O dado sugere que, embora mais famílias estejam recorrendo ao crédito, o volume contratado ainda permanece relativamente controlado. Ao mesmo tempo, cresceu a intenção de contratação de crédito nos próximos três meses, passando de 10,8% para 11,4%, com predominância de uso para consumo.

Entre os meios de pagamento considerados mais vantajosos, o PIX segue na liderança, com 29,7%, seguido pelo cartão de crédito parcelado, com 23,6%. A mudança no comportamento — com recuo do PIX e avanço do parcelamento — indica menor disponibilidade imediata de recursos e maior dependência de crédito. Após o período de festas e liquidações de início de ano, a tendência é de ajuste nos hábitos de consumo, com reflexos diretos sobre o varejo.


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