Por Jaime Vasconcellos, economista.
A ampliação dos limites do Programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), aprovada pelo Conselho Curador do FGTS, pode abrir uma nova janela de oportunidades para o varejo de materiais de construção. Agora os novos limites de renda familiar variam de R$ 3.200 a R$ 13.000. Na Faixa 1, o valor passou para R$ 3.200. Na Faixa 2, subiu para R$ 5.000, e na Faixa 3, para R$ 9.600. A Faixa 3 teve o teto do imóvel elevado de R$ 350 mil para R$ 400 mil e na faixa 4, além do limite de renda aumentar de R$ 12.000 para R$ 13.000, o valor máximo dos imóveis financiados saltou de R$ 500 mil para R$ 600 mil.
Com essas atualizações, um número maior de famílias passa a se enquadrar nas regras do programa, enquanto o aumento do limite de valor dos imóveis permite o financiamento de unidades habitacionais um pouco mais elevadas. Na prática, isso amplia o alcance do crédito imobiliário e cria mais condições para novos lançamentos e empreendimentos residenciais pelo país. Para a cadeia setorial da construção civil, a expectativa é de algum novo estímulo à atividade, com reflexos na geração de empregos e na demanda por insumos.
Esse movimento costuma se traduzir rapidamente em oportunidades para o varejo de materiais de construção. Cada nova obra demanda uma variedade de produtos, desde itens estruturais, como cimento e aço, até materiais de acabamento, como tintas, pisos e revestimentos. Além disso, após a entrega das unidades, é comum que os novos proprietários realizem reformas, ampliações ou melhorias no imóvel, o que pode ampliar ainda mais o fluxo de compras nas lojas especializadas.
Para os empresários do setor, o fortalecimento do programa habitacional pode representar aumento no giro de mercadorias e maior circulação de consumidores nas lojas. E isso seria um alento frente a atual conjuntura de vendas mornas, resultado de um consumo enfraquecido pelos elevados juros e altos níveis de endividamento e inadimplência familiar.
Lembrando que lojas do setor podem desenvolver campanhas específicas voltadas a quem acaba de adquirir um imóvel, oferecendo kits de “primeira reforma” ou “primeiro acabamento”, promoções para pintura, instalação de pisos, iluminação e pequenas melhorias domésticas. Ações de conteúdo, como guias rápidos de reforma, workshops nas lojas ou publicações em redes sociais com dicas para quem acabou de receber as chaves de um imóvel financiado pelo MCMV, também são capazes de ajudar a posicionar o varejista como parceiro na transformação da casa nova, estimulando vendas e fidelizando clientes justamente em um momento em que a demanda por melhorias e personalização do imóvel tende a ser mais intensa.
























