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Por Jaime Vasconcellos, economista.

A alta recente no preço do diesel voltou a colocar o combustível no centro das discussões econômicas no país. Essencial para o funcionamento da logística nacional, o insumo tem forte influência na estrutura de custos de diversos setores e, quando sofre reajustes, os seus efeitos tendem a se espalhar rapidamente por toda a cadeia produtiva. Em um país de dimensões continentais como o Brasil, e com forte dependência do transporte rodoviário, o diesel acaba se tornando um dos principais canais de transmissão de pressões inflacionárias.

A alta de R$ 0,38 por litro, definida agora em março pela Petrobrás, ocorre em um contexto de maior instabilidade no mercado internacional de petróleo. Oscilações no preço do barril (que passou de US$70 para acima dos US$ 100), devido aos conflitos no Oriente Médio, foram o maior motivador deste aumento na volatilidade no setor energético. Como parte do diesel consumido no Brasil ainda depende de importações, o mercado interno permanece sensível a essas variações externas. 

No cenário doméstico, a relevância do diesel se explica principalmente pelo peso do transporte rodoviário na economia brasileira. Caminhões são responsáveis por movimentar a maior parte das mercadorias que circulam no país, conectando centros produtores, indústrias, distribuidores e estabelecimentos comerciais. 

Na capital paulista, mais especificamente, entre a última semana de fevereiro e a terceira semana de março de 2026 o preço médio de revenda do óleo diesel aumentou 18,3%, passando de R$6,05 para R$7,16 por litro. Já o diesel tipo S10 passou de R$6,15 para R$7,42, isto é, um aumento de quase 20,7%. Os dados da Agência Nacional do Petróleo mostram que os avanços locais foram substanciais e de rápida evolução. E no caso do S10, o preço da capital ficou inclusive maior que a média do estado, que atingiu R$7,39, com crescimento de 20,4% no mês. 

Além disso, ressalta-se que o preço médio da gasolina e da gasolina aditivada aos consumidores paulistanos chegaram, respectivamente, a R$6,55 e R$6,89, com aumentos de 6,5% e 6,7% somente nestas mesmas três semanas do mês de março. 

Voltando ao diesel, ele possui forte capacidade de propagação de custos na economia. Como o transporte rodoviário é responsável por movimentar grande parte das mercadorias no país, aumentos no combustível acabam pressionando o valor dos fretes e, gradualmente, sendo incorporados aos preços de alimentos, produtos industrializados e também de insumos utilizados na construção civil. 

Para o setor de materiais de construção, esse impacto tende a ser ainda mais sensível. Produtos como cimento, areia, brita, aço, cerâmicas e outros insumos possuem grande peso logístico, seja pelo volume, seja pelo peso transportado. Isso faz com que o custo do frete tenha participação relevante no preço final dessas mercadorias, ampliando os efeitos de qualquer reajuste no diesel ao longo da cadeia de abastecimento.

No comércio varejista do segmento, os reflexos aparecem tanto no abastecimento das lojas quanto na operação diária das empresas. Fornecedores e distribuidores enfrentam custos maiores de transporte e frequentemente repassam parte dessas despesas aos preços de venda. Ao mesmo tempo, muitos estabelecimentos realizam entregas aos clientes ou transferências entre unidades, o que também eleva os custos operacionais. Em um cenário em que o consumo já enfrenta restrições impostas pela inflação e pelo crédito mais caro, o desafio para o empresário passa a ser administrar esses custos adicionais sem comprometer a competitividade (cuidados máximos na precificação e gestão de margens) nem afugentar consumidores.


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