O calendário deste ano deve impor novos desafios ao Comércio do Estado de São Paulo. Estimativa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) aponta que o setor deixará de faturar cerca de R$ 17 bilhões ao longo de 2026 em razão dos feriados e das chamadas “pontes”. O impacto representa um aumento de 13,9% nas perdas em relação ao ano passado, reflexo do maior número de datas comemorativas em dias úteis.
A projeção considera um cenário com 12 feriados nacionais em dias de semana e quatro emendas, contra nove feriados e cinco pontes no ano anterior. Caso se confirme a expectativa de faturamento do varejo paulista em torno de R$ 1,5 trilhão, o efeito estimado corresponderá a 1,1% da receita anual do setor. Segundo a FecomercioSP, trata-se de um impacto relativamente limitado em termos proporcionais, mas relevante para o planejamento das empresas.
Entre as atividades analisadas, supermercados concentram o maior volume absoluto de perdas, estimadas em R$ 8,2 bilhões, o equivalente a quase metade do total. Farmácias e perfumarias aparecem com a maior variação percentual, com crescimento de 15,8% nas perdas, somando cerca de R$ 2,3 bilhões. Vestuário, tecidos e calçados devem deixar de faturar aproximadamente R$ 2 bilhões, enquanto móveis e decoração podem registrar retração próxima de R$ 280 milhões.
Cenário mais complexo exige estratégia
Além dos feriados, outros fatores devem elevar a complexidade do ambiente econômico em 2026. A realização da Copa do Mundo e o calendário eleitoral tendem a afetar o comportamento do consumo e a rotina das empresas, sobretudo as de pequeno e médio porte. Para o empresário, investidor e estrategista Fernando Campanholo, o conjunto dessas variáveis exige uma postura mais estratégica por parte dos empreendedores.
“Num ano como 2026, o empresário precisa olhar além do dia a dia operacional e se preparar estrategicamente para manter o fluxo de caixa saudável, reduzir impactos de paradas frequentes e aproveitar oportunidades de mercado, mesmo em períodos de menor movimento”, afirma. Segundo ele, eventos de grande apelo social tendem a concentrar a atenção do público, o que pode desviar o foco do consumo tradicional.
O consultor destaca a importância do planejamento financeiro antecipado, com maior esforço comercial no primeiro semestre, além da diversificação de canais de venda, especialmente os digitais. “Fortalecer o comércio on-line e ajustar campanhas promocionais ao calendário pode ajudar a compensar a queda do movimento presencial”, avalia. Para Fernando, revisar escalas de trabalho, acompanhar tendências de consumo e adaptar estratégias ao perfil do negócio serão medidas decisivas para atravessar um ano marcado por mais interrupções na atividade econômica.
























