Mais de oito em cada dez famílias brasileiras chegaram a outubro com obrigações financeiras a vencer. A proporção ficou em 81,6%, ante 81,7% em setembro, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). No mesmo período, a parcela de lares com contas em atraso passou de 29,6% para 29,3%.
As pequenas oscilações indicam a persistência das dificuldades financeiras dos consumidores. Para o comércio, o comprometimento da renda com parcelas e débitos vencidos restringe a capacidade de consumo, enquanto o encurtamento dos prazos de pagamento acrescenta pressão às despesas mensais. O levantamento mostra ainda que 19,3% dos lares destinavam mais da metade de seus rendimentos ao pagamento de dívidas. O tempo médio de atraso recuou de 65,3 para 65,1 dias, mas a parcela dos débitos vencidos há mais de três meses permaneceu elevada, em 48,8%.
José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, avalia que os resultados ainda não permitem concluir que houve recuperação do poder de compra. “A oscilação tímida observada em outubro mostra que o orçamento doméstico segue comprimido e sem fôlego para alavancar o consumo”, afirma. Em sua opinião, a retomada da atividade depende de segurança jurídica e previsibilidade para as empresas. Nesse sentido, defende uma reforma tributária menos onerosa sobre o setor produtivo, especialmente os serviços, e prazos de adaptação mais amenos e realistas às mudanças trabalhistas relacionadas ao fim da escala 6×1.
Pressão em diferentes faixas de renda
Entre as famílias com ganhos de até três salários mínimos, a inadimplência avançou de 38,5% em setembro para 38,6% em outubro. Nesse grupo, 18,3% declararam que não teriam condições de quitar as contas atrasadas.
Fabio Bentes, economista-chefe da CNC, destaca que a vulnerabilidade financeira é mais acentuada entre os consumidores de menor poder aquisitivo. Os dados também mostram, porém, aumento do endividamento na faixa intermediária de renda. Nos domicílios com rendimentos entre cinco e dez salários mínimos, o indicador passou de 77,9% para 79,3%. A elevação foi de 1,4 ponto percentual em um mês.
Outro ponto de atenção para o varejo é a redução da parcela de compromissos com prazo superior a um ano, de 33,8% para 33,4%. Segundo a análise econômica da pesquisa, períodos menores de pagamento aumentam o peso das amortizações mensais, pressionam as contas das famílias e reduzem a disposição para realizar novas compras no comércio e contratar serviços.
























