O indicador da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) registrou queda de 0,8% em outubro, descontados os efeitos sazonais. Com o resultado, a pesquisa atingiu 103,6 pontos, menor patamar desde janeiro de 2026. A retração reflete maior cautela diante das perspectivas profissionais e das condições para aquisição de bens duráveis. Todos os componentes da Intenção de Consumo das Famílias (ICF) apresentaram redução na comparação com setembro. O Momento para Compra de Duráveis teve o recuo mais expressivo, de 1,8%, na terceira baixa consecutiva. A Renda Atual registrou a menor variação negativa, de 0,3%, mas acumulou cinco meses de retração.
Apesar da perda de ritmo, o índice geral permaneceu 2,2% acima do resultado de outubro de 2025. Na comparação anual, a avaliação sobre a aquisição de duráveis avançou 14,0%, favorecida pela menor pressão dos preços desses produtos. Em setembro, a inflação acumulada em 12 meses desse grupo foi de 1,12%, ante 4,58% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Para José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, as datas comerciais do período mobilizam os consumidores, mas o comprometimento do orçamento limita as compras. “Parcelas de dívidas e contas em atraso são o outro lado desta equação que ainda se inclina para a redução no poder de compra do brasileiro”, afirma.
Cautela com o emprego
O componente Emprego Atual diminuiu 0,7% em outubro, na primeira queda mensal desde abril, embora tenha permanecido 1,5% acima do nível de um ano antes. A Perspectiva Profissional recuou 0,6%, acumulando seis retrações consecutivas. Em relação a outubro de 2025, a redução foi de 7,7%, a maior entre os componentes da pesquisa. A avaliação positiva sobre o futuro profissional foi mencionada por 48,0% dos entrevistados, menor percentual desde setembro de 2022. Já a parcela que considera o momento mais seguro para conseguir ou manter uma ocupação ficou em 42,7%, abaixo dos levantamentos anteriores.
Nesse cenário, o Nível de Consumo Atual caiu 1,3% no mês e atingiu 90,1 pontos, menor resultado desde dezembro de 2025. O componente acumula quatro meses de redução. A Perspectiva de Consumo também apresentou queda mensal, mas ambos permaneceram acima dos níveis de outubro do ano passado. O movimento atingiu as duas faixas de renda pesquisadas. Entre os domicílios com rendimento de até dez salários mínimos, a ICF diminuiu 0,8%, para 101,4 pontos. No grupo com renda superior a esse limite, a retração também foi de 0,8%, levando o indicador a 115,4 pontos. A avaliação sobre a compra de duráveis foi o principal destaque negativo nos dois grupos, com quedas de 1,7% e 2,0%, respectivamente. Os resultados mostram que, mesmo com preços mais favoráveis para esses produtos e indicadores superiores aos de 2025, as condições do orçamento e as expectativas sobre o trabalho seguem pesando nas decisões de compra.
























