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A disposição das famílias paulistanas para realizar compras perdeu força em setembro, apesar da sustentação do emprego e da renda. O indicador apurado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) caiu 0,2%, para 110,7 pontos. A sequência de retrações começou em março. Embora permaneça acima da linha de neutralidade, de 100 pontos, a Intenção de Consumo das Famílias (ICF) mostra perda gradual de dinamismo. Na comparação com setembro de 2025, houve avanço de 4,6%. Segundo a entidade, os juros elevados, o endividamento e o comprometimento do orçamento doméstico restringem a expansão dos gastos, principalmente nas aquisições que dependem de financiamento.

O emprego atual manteve a maior pontuação entre os componentes da pesquisa, com 141,2 pontos, apesar do recuo mensal de 0,1%. A renda atual também apresentou queda de 0,1%, para 137 pontos. Já a perspectiva profissional diminuiu 1,7%, para 108,8 pontos, acumulando quatro retrações mensais consecutivas e baixa de 9,4% em relação ao mesmo período do ano anterior.

As restrições aparecem com mais intensidade nas avaliações das compras presentes. O nível de consumo atual caiu 1,3%, para 86,9 pontos. O momento para aquisição de bens duráveis avançou 0,8%, para 80,9 pontos, mas continuou abaixo da linha de neutralidade, indicando uma percepção ainda desfavorável. Em contrapartida, a perspectiva de consumo cresceu 1,1%, para 107,3 pontos, e o acesso ao crédito subiu 0,2%, para 112,8 pontos. A melhoria desses componentes, contudo, ainda não se traduziu em recuperação consistente das compras atuais.

Confiança apresenta leve recuperação

Também mensurado pela FecomercioSP, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) avançou 0,2% em setembro, para 121,1 pontos, interrompendo duas quedas mensais consecutivas. Em relação ao mesmo mês de 2025, a alta foi de 9,9%. O resultado foi sustentado pela avaliação da situação presente. O Índice das Condições Econômicas Atuais (ICEA) cresceu 0,9%, para 115,6 pontos. Já o Índice de Expectativas do Consumidor (IEC) recuou 0,2%, para 124,8 pontos, sinalizando perda de impulso nas perspectivas futuras.

Na avaliação da FecomercioSP, a leitura conjunta das pesquisas aponta um consumidor ainda cauteloso. A manutenção do emprego e da renda oferece suporte à demanda, mas o custo do crédito e as despesas já assumidas limitam a capacidade de incorporar novos compromissos ao orçamento. Para o varejo, o cenário indica compras mais seletivas, com maior atenção aos preços e às condições de pagamento. No último trimestre, datas como Black Friday e Natal devem contar com o suporte do emprego e da renda. O décimo terceiro salário também poderá aliviar as finanças das famílias, embora parte dos recursos possa ser destinada à quitação de dívidas.


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