Espaço Publicitário

A confiança dos empresários brasileiros caiu pelo terceiro mês consecutivo, enquanto as famílias reduziram a disposição para consumir. Apesar da melhora na comparação anual, os indicadores mostram perda de fôlego nas decisões de investimento e compra. Os resultados integram a nova edição da publicação econômica do Sincomavi, que reúne dados sobre as condições do varejo, o endividamento dos consumidores e os custos da construção.

Em setembro, o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), apurado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), recuou 1,3%, descontados os efeitos sazonais, e chegou a 100 pontos, no limite da neutralidade. Na comparação com o mesmo mês de 2025, houve avanço de 1,7%. O segmento de bens duráveis, que inclui material de construção, registrou o melhor desempenho anual, com crescimento de 3,9%.

A Intenção de Consumo das Famílias (ICF), também elaborada pela CNC, diminuiu 0,3% no mês, para 104,5 pontos, embora tenha aumentado 2,9% em um ano. A preocupação com o futuro do mercado de trabalho contribuiu para o resultado: a Perspectiva Profissional caiu 8,6% na comparação anual. Já o Nível de Consumo Atual atingiu 91,5 pontos, o menor patamar do ano.

Crédito e custos exigem atenção

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) registrou a primeira redução do endividamento familiar em 2026, de 82% em agosto para 81,7% em setembro. A proporção de consumidores com contas em atraso também caiu, para 29,6%. Entretanto, o tempo médio de atraso aumentou para 65,3 dias, e a parcela de famílias sem condições de quitar os débitos vencidos permaneceu em 12,5%. Entre aquelas com renda de até três salários mínimos, esse último percentual subiu para 18,5%.

Na construção, o Índice Nacional de Custo da Construção – M (INCC-M), calculado pelo FGV IBRE, desacelerou de 0,85% em agosto para 0,25% em setembro. A alta acumulada em 12 meses ficou em 6,61%. Em São Paulo, os custos avançaram 0,33% no mês e 7,48% em 12 meses. O acompanhamento das commodities, com cotações de setembro e outubro, mostrou movimentos distintos, com aumento do cobre e da bobina de aço laminado a quente e queda de outros metais.

Na análise apresentada na edição, Jaime Vasconcellos, economista do Sincomavi e sócio da Eagles Consultoria Econômica, destaca a necessidade de acompanhar a concessão de crédito, os recebimentos e a reposição de mercadorias. “Diante desse cenário, o planejamento deve combinar controle de despesas, negociação com fornecedores e atenção às margens, com expansão dos estoques apoiada somente na demanda efetiva.”


Espaço Publicitário