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O faturamento deflacionado da indústria de materiais de construção recuou 1,1% em setembro, na comparação com o mesmo mês do ano passado. Entre janeiro e setembro, a queda acumulada chegou a 2,5%. Os resultados levaram a Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (ABRAMAT) a substituir a previsão de crescimento de 0,5% para o fechamento do ano por uma estimativa de retração de 0,8%.

Os dados integram a edição de outubro do Pulso ABRAMAT, publicação mensal que reúne indicadores de desempenho, percepção das empresas e análises sobre a economia e a atividade da construção. Na comparação com agosto, houve alta de 3,8%, com ajuste sazonal. O avanço ocorreu, porém, após um resultado mais fraco do que o inicialmente estimado no mês anterior. No acumulado de janeiro a setembro, os materiais básicos registraram redução de 2,2% no faturamento, enquanto os produtos de acabamento apresentaram queda de 2,8%.

A revisão da estimativa anual reflete principalmente uma recuperação do varejo mais lenta do que a esperada. As obras de infraestrutura e os empreendimentos do Minha Casa, Minha Vida continuam sustentando parte da atividade, mas os juros elevados e o endividamento das famílias restringem os gastos com obras e reformas. “Seguimos com performance positiva das obras de infraestrutura e do MCMV, mas nossas projeções consideravam como premissa adicional uma resposta mais forte do varejo e do consumo das famílias no segundo semestre, o que ainda não aconteceu”, afirma Mauro Franco, presidente executivo da ABRAMAT.

As vendas de materiais no comércio varejista acumulam queda de 1,0% entre janeiro e julho, frente ao mesmo intervalo de 2025. O Programa Reforma Casa Brasil, embora tenha avançado em contratações nos últimos meses, ainda não gerou o aumento das vendas esperado pela indústria. Segundo números preliminares apresentados na publicação, os contratos passaram de 30.798 em agosto para 14.024 em setembro, com redução do valor contratado de R$ 1,079 bilhão para R$ 478 milhões.

Expectativas superam resultados

O Termômetro ABRAMAT também indica uma reação mais lenta do mercado interno. Na sondagem anterior, 90% das empresas esperavam vendas regulares, boas ou muito boas em setembro. Na avaliação efetiva do mês, essa proporção ficou em 72%. Para outubro, 38% das participantes projetam vendas boas ou muito boas, 52% esperam desempenho regular e 10% preveem resultado ruim ou muito ruim. A sondagem foi realizada em setembro.

“O Termômetro ABRAMAT vem sinalizando uma expectativa de reação do mercado um pouco acima do que vem sendo efetivado a cada mês”, afirma Mauro. Segundo a entidade, a perspectiva de melhora do varejo tem sustentado o otimismo das empresas, embora os resultados ainda não confirmem essa recuperação.


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