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Dados da Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista (PCCV), da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) e com informações primárias da Secretaria Estadual da Fazenda do Estado de São Paulo, mostram que o faturamento bruto real do comércio varejista de material de construção paulista atingiu em junho pouco mais de R$9 bilhões, uma redução de 10,2% em comparação com o mesmo mês de 2025.  Em 12 meses a queda está em 6,7%, com recuos mais expressivos nas regiões de Campinas (-14,0%), Capital (-13,5%) e Sorocaba (-10,3%). Por outro lado, as regiões do estado que concentraram os melhores números foram as de Presidente Prudente (+15,6%) e Guarulhos (+5,8%). Das 16 Delegacias Regionais Tributárias paulistas, em 13 registrou-se queda de faturamento nos doze meses encerrados em junho de 2026.

O economista Jaime Vasconcellos acredita que os números recentes do faturamento bruto real do varejo de material de construção no Estado de São Paulo reforçam o cenário de desaceleração que já vinha sendo identificado em outros indicadores acompanhados mensalmente pelo Sincomavi, como o volume de vendas e o emprego formal. “Mais do que uma oscilação pontual, a queda de 6,7% acumulada em 12 meses indica uma perda de dinamismo que já se estende por um período relevante e que atinge a maior parte das regiões paulistas: 13 das 16 Delegacias Regionais Tributárias registraram retração no período”, ressalta.

Em sua opinião, esse comportamento é particularmente relevante porque o comércio de material de construção possui uma sensibilidade maior às condições de crédito e à disponibilidade de renda. Diferentemente de categorias de consumo mais recorrente, uma parcela importante das compras do segmento está associada a reformas, ampliações, manutenção de imóveis e investimentos das próprias empresas, decisões que podem ser adiadas quando o custo do dinheiro aumenta ou quando famílias e empresários passam a operar com menor folga financeira. “O ambiente atual combina justamente esses fatores”, explica. E complementa: “de um lado, as famílias convivem com orçamento pressionado pelo endividamento e pelo comprometimento da renda. De outro, os juros elevados encarecem o financiamento e dificultam a contratação de novas parcelas, enquanto as empresas também enfrentam um custo financeiro elevado para manter estoques, financiar o capital de giro ou antecipar investimentos”.


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