A Pesquisa Mensal do Comércio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (PMC-IBGE) registrou em junho uma queda de 2,3% no volume de vendas do comércio de materiais de construção do Estado de São Paulo em relação ao mesmo mês do ano passado. Esta foi a terceira queda seguida do indicador paulista, contrapondo o avanço de 0,6% verificado no mercado nacional, tendo como referência igualmente junho de 2025.
Evolução mensal do índice de volume de vendas do comércio de materiais de construção – Mês contra mesmo mês do ano anterior (%)

Fonte: PMC – IBGE
No acumulado do primeiro semestre de 2026 a realidade do setor no Estado de São Paulo também se apresenta mais aguda negativamente que a vista em território nacional. Enquanto no Brasil o comércio de materiais de construção contou com uma redução de 0,8% na primeira metade de 2026, na economia paulista o recuo ficou me 4,9%. Nos últimos 12 meses, considerando o desempenho acumulado de julho de 2025 a junho de 2026, os resultados de tais extratos territoriais seguem no mesmo sentido, com quedas de 1,8% e 4,6%, respectivamente.
Evolução do índice de volume de vendas do comércio de materiais de construção – junho de 2026 (%)

Das 12 unidades federativas avaliadas pelo IBGE, a variação do volume de vendas do comércio de materiais de construção que mais chama atenção é a do Estado do Espírito Santo, com avanço de 36,7% neste 1° semestre. Por outro lado, os piores resultados ficaram para o Ceará (-8,3%) e o Distrito Federal (-7,0%).
Evolução do índice de volume de vendas do comércio de materiais de construção – acumulado em 2026 por UFs (%)

O economista Jaime Vasconcellos explica que o resultado semestral, com uma significativa queda nas vendas do comércio de materiais de construção no Estado de São Paulo, não se diferenciaria das análises mensais, que mostram recuos sucessivos de performance do setor este ano. “Mais uma vez, o desempenho está em linha com a trajetória do orçamento familiar, isto é, apertado por um elevado comprometimento de renda com dívidas, além das dificuldades com acesso a crédito de PJs e PFs, devido a seletividade do setor bancário e altas taxas de juros”, destaca. E complementa: “Soma-se a tal cenário o avanço dos preços, considerando os impactos da pressão das commodities internacionais no mercado doméstico”. Em sua opinião, esta união de fatores impacta a renda familiar, que até se mantém sustentada por um mercado de trabalho ainda em expansão, levando a uma menor conversão deste rendimento em consumo no setor de materiais de construção, para além do considerado essencial por parte do consumidor.
OBS: O Volume de Vendas observado pela PMC resulta da deflação dos valores nominais correntes da receita bruta de revenda por índices de preços específicos para cada grupo de atividade, e para cada Unidade da Federação, construídos a partir dos relativos de preços do IPCA e do Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil – SINAPI. A pesquisa também avalia apenas empresas com 20 ocupados ou mais.
























