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O endividamento dos trabalhadores tem reflexos na produtividade, no absenteísmo e no bem-estar dentro das organizações. O tema foi discutido no webinário “Saúde Financeira dos Colaboradores: o novo desafio do RH”, realizado em 12 de agosto pelo Grupo ConstRHuir, com apoio do Sincomavi. O encontro reuniu 92 participantes.

A apresentação foi conduzida por Edward Cláudio Junior, especialista em administração e planejamento tributário, cofundador do BEM Financeiro e Educador Executivo da Escola E3/Futurize. Durante o encontro, ele apresentou dados e situações relacionadas ao endividamento e destacou a educação financeira como instrumento para auxiliar os trabalhadores na tomada de decisões. Informações apresentadas pelo palestrante revelam que mais de 60% dos funcionários estão endividados. Outros dados indicam que 56% não possuem reserva de emergência, 83% desconhecem as taxas de juros dos empréstimos contratados e 69% recorrem ao crédito sem analisar previamente o impacto sobre o orçamento.

Dados do BEM Financeiro referentes a 2025 mostram ainda que 60% dos casos atendidos em consultoria envolvem dívidas. Entre os principais compromissos financeiros estão cartão de crédito, empréstimo consignado e débitos com agiotas.

Apostas e crédito ampliam riscos

As apostas online estiveram entre os pontos abordados. De acordo com os dados apresentados no webinário, R$ 143 bilhões deixaram de circular no varejo e foram destinados às plataformas de apostas entre janeiro de 2023 e março de 2026. O conteúdo também apontou que 86% dos apostadores estão endividados.

Entre os sinais de alerta relacionados às apostas foram citados ansiedade, irritabilidade, ocultação de perdas, utilização de recursos destinados a despesas essenciais e isolamento social. O uso inadequado do cartão de crédito também foi destacado. Edward explicou que o problema ocorre quando o limite passa a ser tratado como extensão da renda. As taxas do crédito rotativo, apresentadas na faixa de 13% a 15% ao mês, podem acelerar o processo de endividamento, especialmente quando há pagamento apenas do valor mínimo da fatura.

Outro tema discutido foi o empréstimo consignado digital. A modalidade permite a contratação de diferentes operações sem controle da empresa e pode comprometer parcela significativa da remuneração. Conforme apresentado no encontro, as taxas podem chegar a 6,99% ao mês.

Como forma de enfrentar o problema, Edward apontou a educação financeira como uma medida que pode ser adotada pelas empresas. Entre as possibilidades estão palestras, workshops e consultorias individuais. A proposta é fornecer instrumentos para que os colaboradores compreendam melhor suas decisões financeiras, reorganizem o orçamento e revejam hábitos relacionados ao uso do crédito. O conteúdo destacou ainda que a educação financeira não deve se limitar a aspectos técnicos, mas considerar também fatores comportamentais que influenciam as escolhas e a relação dos trabalhadores com o dinheiro.


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