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A expansão acelerada dos negócios deixou de ser o único indicador de força empresarial no Brasil. Em meio ao avanço da inteligência artificial, à pressão por eficiência e à instabilidade econômica, empresas passaram a ampliar o debate sobre governança, sucessão e capacidade de execução como fatores centrais para sustentar crescimento e preservar valor.

Levantamento da PwC mostra que 51% dos CEOs brasileiros afirmam que suas empresas passaram a competir em novos setores nos últimos cinco anos, enquanto 38% apontam as condições macroeconômicas como principais ameaças aos negócios. O estudo também indica que 45% acreditam que suas companhias não sobreviverão mais de uma década sem reinvenção estrutural.

Marcos Koenigkan, fundador da MK Participações, avalia que muitas empresas brasileiras cresceram mais rápido do que conseguiram estruturar seus processos internos. “Elas (empresas) amadureceram na capacidade de expandir, mas ainda existe uma fragilidade importante quando falamos de arquitetura empresarial. Em vários casos, o crescimento aconteceu mais rápido do que a estrutura conseguiu acompanhar”, ressalta.

Tal cenário é mais evidente em empresas familiares e grupos multissetoriais, que passaram a conviver com estruturas mais complexas e forte concentração de decisões nos fundadores. Nesse contexto, temas como holdings, acordos societários, conselhos consultivos e planejamento sucessório ganharam espaço na agenda empresarial.

Disciplina e desenvolvimento

A discussão também aparece no estudo Panorama Liderança 2026, realizado pela Amcham Brasil em parceria com a Humanizadas. A pesquisa aponta que o principal desafio das empresas brasileiras atualmente está na execução das estratégias definidas. Para 42% dos executivos ouvidos, a maior dificuldade é transformar estratégia em plano de ação. O levantamento identificou ainda outros obstáculos relevantes, como restrição de recursos, desalinhamento entre áreas, resistência à mudança, baixa disciplina de execução e falta de clareza nas prioridades.

Segundo Nádia Rabechi, diretora executiva da Amcham Brasil, o avanço da performance organizacional depende de disciplina e desenvolvimento de lideranças. “Não há uma receita mágica e sim a necessidade de comunicação clara, disciplina e cuidado constante com os talentos”, destaca.

A inteligência artificial também aparece como elemento de transformação nas empresas. Dados da PwC indicam que 51% dos CEOs brasileiros já confiam na integração da IA aos processos essenciais das companhias, enquanto 34% afirmam que a tecnologia contribuiu diretamente para o aumento de receita nos últimos 12 meses.

Koenigkan, da MK Participações, avalia, porém, que a adoção tecnológica exige um amadurecimento estrutural. “Não adianta implementar inteligência artificial em uma operação que continua desorganizada internamente. A tecnologia amplia a eficiência, mas também expõe fragilidades quando a empresa não possui governança e processos maduros”, alerta.

Sucessão preocupa empresas familiares

A necessidade de planejamento de longo prazo também se tornou um dos principais desafios das empresas familiares. Dados do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) mostram que apenas 30% das empresas familiares sobrevivem à primeira transição de comando. Na terceira geração, o índice cai para menos de 10%.

Pesquisa global da McKinsey aponta que empresas familiares apresentam queda de desempenho em receita, lucro e retorno aos acionistas nos cinco anos seguintes à sucessão quando o processo não é estruturado adequadamente. Para Julian Tonioli, CEO e sócio-fundador da Auddas, o principal erro é tratar a sucessão apenas quando o fundador já está em fase de afastamento. “A transição não pode ser intuitiva ou pautada pelo afeto; ela exige governança e um plano claro de desenvolvimento”, afirmou. Em sua opinião, meritocracia, profissionalização da gestão e criação de conselhos familiares e consultivos ajudam a reduzir conflitos internos e garantem maior continuidade estratégica aos negócios.

Os estudos e análises refletem uma mudança de percepção no ambiente corporativo brasileiro. Mais do que crescer, empresas passaram a concentrar esforços na construção de estruturas capazes de sustentar competitividade, adaptação e continuidade nos próximos ciclos econômicos.


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